Futebol Cearense

HISTÓRICO

CEARÁ

O Ceará Sporting Club foi fundado em 1914 sob a denominação de Rio Branco Foot-ball Club. Segundo o historiador Airton de Farias, no livro “Assim se construiu o Campeão – Uma narrativa das conquistas do maior campeão cearense (volume I)”, a escolha do nome seria uma homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.

Em 1915, a equipe passou a ser conhecida como é atualmente. As cores iniciais do time eram lilás e branco, e o primeiro presidente do clube foi um comerciante da Praça do Ferreira, Gilberto Gurgel. Na década de 1910, o Ceará venceu os cinco campeonatos da época sob a chancela da Liga Metropolitana Cearense de Football, os quatro primeiros de maneira invicta.

O Ceará Sporting Club considera como a maior façanha – até os dias de hoje – a conquista do pentacampeonato de 1915 a 1919, sob a égide da Liga Cearense Metropolitana de Futebol (LCMF), a primeira entidade gestora do desporto local.

O primeiro tetracampeonato Cearense do Alvinegro de Porangabuçu foi nos anos de 1915 a 1918. O penta veio em 1919, de virada em cima do Fortaleza, por 2×1, nos minutos finais da partida. Humberto Ribeiro marcou para o Fortaleza, mas Walter Barroso fez os dois gols da histórica conquista do Vozão.

Em 1939, o Ceará enfrentou seu maior jejum sem títulos: foram seis anos para sagrar-se campeão. No início dos anos 1960 a má fase chegou ao fim trazendo o tricampeonato em 1961, 1962 e 1963, porém, depois do Tri, um novo período sem títulos começou: cinco anos. A compensação veio em 1969 com a conquista do Torneio Norte-Nordeste e o Cearense de 1971. O próximo tricampeonato veio nos anos de 1975, 1976 e 1977.

Após 21 anos o Ceará volta a conquistar mais um tetracampeonato, sendo este o terceiro na história do time. O tetra veio no período de 1996 a 1999. Em 2004, o Vozão se sagra campeão cearense mais uma vez e, de quebra, impede o tricampeonato do seu maior rival, Fortaleza, porém o Tricolor se negou a disputar as finais marcadas pela Federação Cearense de Futebol (FCF) e ganhou o título daquele ano judicialmente.

Dois anos depois, em 2006, o Ceará conseguiu impedir o que seria o primeiro tetracampeonato do Fortaleza. O quarto tricampeonato do Ceará veio nos anos de 2011, 2012 e 2013, seguido do quarto tetracampeonato: 1918, 1978, 1999 e 2014. Após dois anos sem levantar a taça estadual, o Vozão foi bicampeão nos anos 2017 e 2018.

Em 2017, o Ceará retornou à elite do futebol brasileiro, onde permanece desde então, ocasionando fatos históricos para o clube. O Alvinegro entrou em 2022 pelo 5º ano consecutivo na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, estabelecendo um marco importante para o próprio clube e para o Estado.

O Vozão está na 7ª temporada entre os 20 principais times do Brasil, contando as participações da equipe na Série A de 2018 a 2022 com as de 2010 e 2011.


FORTALEZA

O nome da capital do estado do Ceará foi utilizado, em 1912, para criação do clube, pelo desportista cearense Alcides de Castro Santos. Maso “primeiro Fortaleza” teve suas atividades encerradas tempos depois. Em 1915, o desportista participou da fundação do Stella Foot-Ball Club, nome escolhido em referência a um colégio suíço onde estudavam os filhos de alguns nobres da alta sociedade da época. Anos depois, em 1918, nasceu o Fortaleza Esporte Clube.

Alcides – que também foi o primeiro presidente do clube – foi um dos fundadores do Fortaleza, juntamente com Oscar Loureiro, João Gentil, Pedro Riquet, Walter Olsen, Walter Barroso, Clóvis Moura, Jayme Albuquerque e Clóvis Gaspar, dentre outros. O campo do Alagadiço (próximo de onde atualmente é a Igreja de São Geraldo, na Capital) foi comprado e doado por Alcides ao Fortaleza.

O Stella Foot-Ball Club teve uma certa ligação com o Fortaleza Sporting Club, denominação da equipe até a Segunda Guerra Mundial, sendo alterada por decreto governamental nos anos 1940. O Fortaleza possui o Estádio Alcides Santos, maior estádio particular cearense, também chamado de Parque dos Campeonatos, e o Centro de Treinamento Ribamar Bezerra, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em Maracanaú (CE), com 90 mil m². Em 1920, o Fortaleza conquistou seu primeiro Campeonato Cearense.

Em 23 de março do mesmo ano, foi fundada a Associação Desportiva Cearense (ADC), da qual faziam parte Fortaleza, Ceará, Guarani e Bangu. No ano seguinte, o Tricolor conquistou seu primeiro bicampeonato. O campo do Alagadiço foi inaugurado em 22 de abril de 1923 e foi palco de mais um título do Fortaleza. Em 1925, o Tricolor conquista o bicampeonato pela segunda vez, em cima do maior rival, Ceará, de forma invicta. Tornando-se, assim, o primeiro campeão cearense invicto.

Em 1926, mais uma taça de campeão para o Fortaleza. O terceiro bicampeonato veio no início de 1928. Nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, o Fortaleza conquistou seu primeiro tetracampeonato cearense. Ao longo da história centenária do Tricolor, já são 45 títulos estaduais.

Em 2018, a equipe conseguiu o tão sonhado acesso à elite do futebol brasileiro, sob o comando do técnico Rogério Ceni. No ano seguinte, o Tricolor conquistou uma vaga inédita na Sul-Americana.

Já sob o comando do técnico argentino Juan Pablo Vojvoda, em 2021, o Fortaleza fez história ao ser o único time que ficou no G6 em todas as rodadas do Brasileirão, chegando a ficar em primeiro em algumas rodadas da competição. Além de ter conquistado uma vaga inédita na Libertadores, fazendo sua melhor campanha na Série A. Em 2022, foi
campeão invicto da Copa do Nordeste e, de quebra, registrou o maior público da Arena Castelão, desde 2016, levando 60.045 torcedores ao estádio na grande final. No mesmo ano, conquistou seu segundo tetracampeonato cearense: 2019, 2020, 2021 e 2022.


FERROVIÁRIO

Fer·ro·vi·á·ri·o. Substantivo masculino. Funcionário da ferrovia. Fazendo referência aos funcionários do setor de Locomoção da Rede Viação Cearense (RVC), foi assim que, em 9 de maio de 1933, o Ferroviário Atlético Clube foi fundado. A RVC foi a antecessora da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), no início da década de 1930.

A empresa instalou oficinas de manutenção de locomotivas, carros e vagões na então região do Urubu, precisamente onde hoje é a sede da Transnordestina, sucessora da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), na avenida Francisco Sá.

À época, os trabalhadores precisavam realizar horas extras e, por causa da distância de muitos do trabalho, acabaram por aproveitar o intervalo entre os horários para passar o tempo. Iniciou-se, assim, a limpeza de um terreno vazio dentro das oficinas, organizaram times e compraram uma bola. Para completar a construção do campo, confeccionaram traves a partir de tubos retirados de caldeiras de velhas locomotivas.

As equipes eram a Matapasto e Jurubeba, nomes das ervas que, com tanto custo, retiraram do terreno que virou campo de futebol. Com o sucesso das partidas, os operários decidiram juntar os times e formar uma equipe de fato para disputar campeonatos suburbanos. A partir daí, surgiu o Ferroviário e carregavam as listras verticais nas cores vermelha, preta e branca.

Mas não é só de vontade que se cria um clube de futebol. Reconhecendo as movimentações esportivas dentro da empresa, Valdemar Cabral Caracas, chefe do escritório de manutenção da RVC, juntou-se à ideia inicial, destacando-se como principal fundador do Ferroviário Atlético Clube, como conhecemos hoje.

Na caminhada da sua quase centenária história, podemos destacar que o primeiro cearense a jogar pela Seleção Brasileira de Futebol pertenceu ao Ferroviário: Zé de Melo, em 1959. Após ele, vieram outros: Mirandinha e Jardel, crias da base. Além de Iarley, bicampeão mundial interclubes.

Muitas conquistas fazem parte do clube. Em sua galeria, o time Coral conta com mais de 100, entre campeonatos, copas, torneios e taças. Campeão cearense por nove vezes, sendo um invicto em 1968 e um bicampeonato de 1994 e 1995. Em 2007, disputou a final da Polar Cup, no Caribe, tornando-se um dos primeiros times a disputar uma competição internacional.

Com 28 participações no Campeonato Brasileiro, o Ferroviário já esteve por seis anos seguidos na elite do futebol brasileiro. Campeão Brasileiro da Série D em 2018, tornou-se o primeiro clube da capital cearense a conquistar uma
competição de nível nacional.