70 anos da Fiec: Uma Efeméride na Pandemia

70 anos da Fiec: Uma Efeméride na Pandemia

Especial

Entrevista – Presidente Ricardo Cavalcante

Crédito: KARLSON GRACIE
Ricardo Cavalcante é 11º presidente da Fiec, Depois de ocupar o posto de diretor-administrativo na gestão anterior. (Foto: Thais Mesquita | O POVO)

 

 

José Ricardo Montenegro Cavalcante é empresário do ramo de extração mineral de areia e há 27 anos está presente em entidades representativas industriais. O 11º presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) vive o desafio de liderar o setor em meio a momento histórico e fala sobre a pandemia, inovação e ações para o futuro.

Anuário do Ceará: A economia mundial tem mudado com uma velocidade muito grande por conta dos avanços da tecnologia, cada vez mais rápidos e com grandes ganhos de eficiência. Até onde vai o papel de uma entidade como a Fiec neste contexto?

Ricardo Cavalcante: Há exatos 70 anos a Fiec tem sido protagonista do processo de desenvolvimento socioeconômico não apenas do nosso Estado, mas de toda a região Nordeste e do próprio País. E nesse percurso temos trabalhado intensa e continuamente o aprimoramento dos processos produtivos das nossas indústrias e a capacitação e qualificação dos nossos quadros, tanto operacionais quanto de gestão, de modo a podermos manter os produtos que saem de nossas fábricas cada vez mais competitivos e em sintonia com as tendências de mercado e de consumo no Brasil e no mundo.

Não por acaso as nossas três casas são referência nacional em suas atividades. O nosso Senai tem buscado trazer para o aprendizado industrial no Ceará as mais modernas tecnologias disponíveis no mundo inteiro, abrindo caminho para que entremos na era da Indústria 4.0 com desenvoltura; o nosso Sesi tem evoluído a cada dia, transformando as mudanças sociais em oportunidades de novos serviços para a melhoria da qualidade de vida das populações que orbitam o universo das indústrias e seu entorno; e o nosso IEL tem disseminado conhecimento empresarial que vem modificando sobremaneira o mindset daqueles que lideram a estratégia e dão eficiência à gestão das indústrias cearenses. Portanto, o trabalho da Fiec nesse contexto de mudanças tem se pautado pela construção de conhecimento técnico-acadêmico assentado em práticas operacionais contemporâneas.

ANUÁRIO: A Indústria 4.0 requer capital humano mais capacitado, mais infraestrutura, mais condições para estabelecer competitividade, mesmo dentro do Brasil. Qual o percurso do Ceará para chegar a este estágio?

RICARDO: O Ceará tem evoluído significativamente no que tange à facilitação ao acesso às novas tecnologias para os diferentes setores produtivos em atividade no Estado. Hoje temos uma infraestrutura aeroportuária que nos aproxima e nos coloca em sintonia com o que há de mais atual em termos de logística de cargas no mundo. A conectividade da nossa malha aérea integrada à infraestrutura no nosso novo aeroporto, e à capacidade operacional do nosso porto maior, faz do Ceará um dos mais competitivos estados de todo o Nordeste e nos insere definitivamente no cenário de competitividade internacional.

Os investimentos públicos e privados feitos até aqui, a exemplo do parque industrial presente no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, da infraestrutura de comunicação via cabos submarinos de fibra ótica que nos conecta à velocidade da luz aos quatro cantos do mundo, nos anima a acreditar que estamos no caminho certo. Claro que ainda há muito o que fazer, especialmente no que tange à agilização dos processos burocráticos que seguem comprometendo a eficiência das nossas operações comerciais com o Brasil e com o mundo; o baixo investimento público em infraestrutura de tráfego rodoviário e ferroviário, que segue dificultando a logística de transporte interno dos nossos produtos; a excessiva carga tributária, que compromete o planejamento econômico-financeiro dos nossos negócios. Mas esses são gargalos que carecem de ingerência política para serem resolvidos.

ANUÁRIO: Setores tradicionais da indústria já miravam a necessidade de transformação, e o cenário reforça a necessidade de acelerar as tomadas dessas decisões. O Ceará traçou as chamadas Rotas Estratégicas Setoriais. Depois de definidas, como segui-las?

RICARDO: Quando implantamos o Programa para Desenvolvimento da Indústria (PDI), tínhamos o propósito de construir caminhos que nos garantem um crescimento continuado das nossas indústrias, assentando a nossa trajetória nas reais potencialidades de cada território onde tivéssemos parques industriais instalados, de modo a termos um melhor aproveitamento das nossas competências. E para tanto iniciamos um debate articulado entre setor privado, poder público, academia e entidades de apoio, incentivando o fortalecimento da inovação e sustentabilidade no ambiente industrial cearense.

O “Rotas Estratégicas” é um dos vetores do PDI. Com ele nós iniciamos a caminhada de construção do futuro da indústria cearense, visando um horizonte temporal de 2025. Após a realização de 14 painéis com 670 especialistas e empresários, foram definidas 39 visões para subsetores industriais locais, mapeadas 5.245 ações estratégicas e identificadas 221 tecnologias-chave. Também foram realizados 13 estudos socioeconômicos que levantaram 8.263 informações de ordem econômica, ambiental e de ativos em pesquisa e desenvolvimento. Hoje temos 14 rotas concluídas para os setores estratégicos de: águas, biotecnologia, construção e minerais não metálicos, economia do mar, eletrometalmecânico, energia, indústria agroalimentar, logística, meio ambiente, produtos de consumo, saúde, tecnologias da informação e conhecimento, turismo e economia criativa, e segurança pública. Cada uma traz informações precisas sobre a socioeconomia, tendências, rotas e o roadmap com a identificação de entraves, tecnologias-chave e ações estratégicas de curto, médio e longo prazo para o aumento da competitividade desses setores.

ANUÁRIO: Os incentivos fiscais são instrumentos utilizados para estimular a interiorização da atividade industrial. Em que medida o senhor avalia esse modelo como ainda adequado? 

RICARDO: Quando o governo propõe uma política de incentivos fiscais baseada no estímulo à interiorização dos investimentos industriais, ele busca reduzir as desigualdades regionais promovendo um desenvolvimento que seja territorialmente mais equilibrado e, por consequência, socialmente mais justo. A ideia lançada há cerca de dois anos, de usar o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) para balizar a ponderação dos incentivos nos parece bastante interessante, por considerar aspectos tanto demográficos, quanto fundiários, econômicos e sociais.

Mas, paralelamente a isto, acreditamos ser necessário um programa de repactuação das dívidas do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), trazendo novamente para o mercado de crédito as empresas que voltarão a gerar incrementos no emprego e na renda. É importante entender que os incentivos existem para equilibrar a competitividade de territórios com algum gap de infraestrutura, capital humano e acesso aos mercados, de modo a torná-los atrativos a investimentos que possam verdadeiramente contribuir para um desenvolvimento regional mais equilibrado.

ANUÁRIO: O peso econômico e institucional da indústria, historicamente, põe a Fiec como agente em momentos decisivos da história. Como tem sido a atuação da entidade nesse cenário de crise que estamos vivendo?

RICARDO: Desde a sua origem, fato acontecido em 12 de maio de 1950, quando recebeu a Carta Sindical que a reconhecia como Federação das Indústrias do Estado do Ceará, a Fiec tem pautado a sua atuação no cumprimento da missão de “fortalecer a indústria e incentivar o desenvolvimento socioeconômico do Ceará”. E não há como fortalecer a indústria sem a promoção do desenvolvimento socioeconômico do Estado, um não acontece sem o outro. Aliás, um carece do outro. Daí vimos mantendo um diálogo constante entre empresas, Governo e academia, sempre de forma integrada, colaborativa e produtiva, ouvindo e valorizando as ideias de todos. Entendemos ser este comportamento essencial que possamos produzir e distribuir riqueza, promover emprego e renda, e gerar impostos, tudo em sintonia com as transformações sociais e tecnológicas em curso, em um círculo virtuoso de inovação e prosperidade.

ANUÁRIO: O senhor tinha um plano de voo para o seu mandato em função da perspectiva nacional de recuperação econômica e até um possível crescimento até o final dele. O cenário mudou de maneira drástica. Assim, o que mudou no planejamento da sua gestão?

RICARDO: Há uma frase do grande pensador em gestão estratégica do século XX, o mestre Peter Drucker, que afirma: Planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas a implicações futuras de decisões presentes. Quando traçamos um plano, o fazemos com uma visão de futuro que acreditamos viável, factível. Porém, no percurso a realidade trata de nos provocar a mudar de rota. E quando temos um propósito que norteou a nossa estratégia, essa mudança acontece naturalmente. É fato que a chegada da pandemia da Covid-19 impactou de forma marcante boa parte dos nossos planos. Por outro lado, revelou para todos que fazemos a Fiec, e aqui incluo exatamente todos — lideranças sindicais, gestores das casas da indústria, colaboradores dos múltiplos setores e diretores-executivos — que éramos capazes de fazer muito mais do que vínhamos fazendo.

Daí termos nos solidarizado com o poder público e nos envolvido diretamente na missão de combater os impactos do coronavírus de uma forma efetiva, produzindo insumos os mais diversos para o enfrentamento, tudo feito de modo solidário e colaborativo, juntando inteligências e competências tanto do sistema indústria (com Senai, Sesi e IEL trabalhando juntos), quanto do Governo, das universidades e especialmente das indústrias a nós vinculadas. Hoje sabemos o quanto vale a máxima: a união faz a força. E a Fiec segue unida contra o coronavírus. Quanto ao futuro da minha gestão, não tenho dúvidas de que o aprendizado e a resiliência que construímos nesses dias, haverão de nos permitir uma retomada dos trabalhos a uma velocidade ainda maior, de modo a podermos cumprir com todas as metas que traçamos em setembro de 2019, quando da nossa posse.

ANUÁRIO: Em artigo no O POVO, logo após a eclosão da crise causada pela Covid-19, o senhor citou a necessidade de uma espécie de Plano Marshall para o Brasil na recuperação pós-pandemia. O senhor acredita na capacidade de reconstrução do País? 

RICARDO: Quando lancei aquele manifesto, procurei expressar um sentimento no qual verdadeiramente acredito, que é o da solidariedade, da colaboração. E a reconstrução socioeconômica do Brasil carece disso. No artigo eu afirmava não haver mais espaço para ações isoladas, que os governos em suas instâncias federal, estaduais e municipais, assim como as casas legislativas e o Judiciário; as organizações empresariais e os trabalhadores; as instituições acadêmicas, a imprensa e entidades sociais, enfim, todos nós, deveríamos unir esforços em torno de uma mesma questão: a reconstrução socioeconômica da nação.

E partindo da premissa de que não há dignidade sem trabalho, e não há trabalho sem pujança econômica, considero imprescindível o investimento na qualificação das pessoas, na atualização dos parques operacionais, na reestruturação das cadeias produtivas, na otimização do uso dos recursos disponíveis, na ampliação da eficiência dos negócios, na agregação de valor às marcas, na adoção de estratégias de inovação e no alargamento dos horizontes de mercado. E tudo isto não se faz sozinho. O País carece de união, e união é o cerne do nosso modo de trabalhar na Fiec.

ANUÁRIO: Como seria um Plano Marshall à brasileira?

RICARDO: O termo “Plano Marshall” surge nesse contexto caótico, não apenas como um estímulo financeiro de um único governo, mas como uma metáfora para a necessidade de um estímulo coletivo para a retomada da economia brasileira. No Brasil, além do capital financeiro, essencial é claro, precisamos fortalecer o capital humano para que tenhamos a nossa inteligência e criatividade a serviço do Estado, aqui dito em sentido lato. E nessa metáfora que propomos, a cooperação aparece como o amálgama capaz de unir instituições de fomento, governos, universidades, empresas e sociedade organizada, atuando de forma integrada com os organismos multilaterais internacionais, com fins de carrear investimentos públicos e privados em infraestrutura, logística, saneamento básico, moradia, educação, saúde e tudo o mais que leve a um processo sustentável de desenvolvimento.

Esse seria o nosso “Plano Marshall”, um projeto coletivo de retomada econômica, para nos desvencilhar das amarras que tanto sufocam a classe empreendedora e travam a inovação em todos os setores da nossa sociedade. Somente com a união conseguiremos mudar essa realidade nacional que teima em colocar nos ombros das nossas empresas uma carga insuportável de tributos, que nos submetem a leis obsoletas e a excessos de regulação por parte do Estado, fatores que só desencorajam os investimentos privados, aumentam a insegurança jurídica e prejudicam a produtividade da economia brasileira.

ANUÁRIO: As consequências da pandemia têm sido comparadas às de uma guerra, mas os períodos de guerra também são reconhecidos pelos avanços, já que dão urgência às soluções, às descobertas tecnológicas, à inovação. Em que medida a indústria está aprendendo?

RICARDO: A experiência com o caos trazido pela Covid-19 tem nos mostrado que somos capazes de muito mais do que antes acreditávamos ter competência para fazer. No afã de cumprirmos com a nossa missão de fortalecer a indústria e incentivar o desenvolvimento socioeconômico do Ceará, de pronto, nos envolvemos na construção coletiva de soluções que pudessem minorar os impactos da pandemia. E para tanto, colocamos a nossa inteligência, infraestrutura, capacidade de inovação e capilaridade operacional em campo, trabalhando diuturnamente no desenvolvimento de insumos para os serviços de saúde, com a produção de máscaras, aventais, álcool em gel e a recuperação de respiradores artificiais, instrumentos essenciais à preservação da vida das pessoas infectadas.

Também conseguimos sensibilizar a classe empresarial para a causa, com a promoção de campanhas de arrecadação de recursos e aquisição de equipamentos e produtos voltados para a redução dos impactos da pandemia. Tudo isso só reforça o sentimento óbvio de que juntos somos capazes de ir muito mais longe, de inovarmos de diferentes formas, de gerarmos riquezas além das econômicas, de transcendermos os nossos muros e unirmos às mais diferentes forças, quando temos uma causa comum. Passado esse momento, certamente iremos explorar essas novas competências para acelerarmos a retomada das nossas atividades, ampliarmos a nossa produtividade e nos tornarmos ainda mais competitivos no mercado local, nacional e internacional.

ANUÁRIO: Como é liderar um segmento tão complexo e em plena transição tecnológica, e  até conceitual, nesse cenário de incertezas por conta da pandemia?

RICARDO: Parafraseando o pensador israelense Yuval Harari, neste momento de crise, a batalha decisiva trava-se dentro da própria humanidade. Se esta pandemia resultar em maior desunião e maior desconfiança, o vírus terá aí sua grande vitória. Por outro lado, se resultar numa cooperação global mais estreita, triunfaremos não apenas contra o coronavírus, mas contra todos os patógenos futuros. Desde o primeiro momento em que assumi a presidência da Fiec, trouxe comigo o lema da união. Fiec Unida foi o nome da chapa com que fui eleito presidente.

E hoje percebo claramente o quanto foi importante a disseminação deste sentimento entre todos aqueles com os quais interagi ao longo dos últimos meses. A cada momento me vem à memória o que disse no dia da minha posse: Nós iremos trabalhar para todos, para a Indústria, que se alimenta e alimenta de insumos os demais negócios; para o Estado, que fomenta o empreendedorismo, e recolhe os tributos gerados para retornar às pessoas na forma de serviços capazes de dignificar as suas vidas, e para a própria sociedade, razão maior da nossa existência, e quem de fato move a economia. E fiel a esse compromisso, seguirei trabalhando para cumprir com a missão que foi delegada.

ANUÁRIO: A Fiec se coloca à frente do desafio de liderar a agenda de reforma conceitual do setor. Como conduzir esta agenda em um momento da história em que as empresas pensam em sobreviver?

RICARDO: Acredito que as respostas anteriores já traduzem o que esta pergunta pede. Quando conseguimos manter os nossos 39 sindicatos unidos em defesa dos interesses maiores não só das nossas indústrias, mas de toda a sociedade, respeitando a lei e a ordem, trabalhando coletivamente pela preservação da vida, entregando suas inteligências em prol de soluções efetivas para os males que acometem as pessoas e as empresas, estamos promovendo desenvolvimento socioeconômico. O mesmo fazemos quando nos unimos ao Estado e às demais instituições representativas dos outros setores produtivos como comércio, serviços, agronegócios e transporte na construção de estratégias que nos permitam manter viva a chama empreendedora de nosso povo.

Também o fazemos quando empregamos todas as tecnologias do Senai na qualificação dos quadros operacionais de nossas fábricas e na consequente melhoria da produtividade de nossos parques industriais; quando disponibilizamos toda a infraestrutura do Sesi para fortalecer o espírito de cidadania e promover a saúde física e mental entre os operários e seus familiares das nossas empresas; quando estruturamos o IEL para conduzir o processo de mudança de mentalidade, fortalecendo o espírito empreendedor de nossos gestores, aumentando as competências e gerando mais eficiência e inovação para as nossas empresas. Enfim, promover o desenvolvimento socioeconômico está no cerne de tudo o que fazemos na Fiec.

ANUÁRIO: O senhor participou de outras gestões da Fiec, em outros cargos. Que lições ajudam hoje no seu modo de liderar?

RICARDO: Estou na Fiec há cerca de 28 anos. E nesse tempo todo, eu pude perceber que os momentos em que a indústria cearense mais se fortaleceu foram aqueles em que soube manter a sua altivez, contribuindo de forma solidária com o Estado em todas as suas instâncias, mas preservando a sua independência e se mantendo autônoma; reunindo as mais diferentes forças criativas e produtivas em torno de um propósito comum, o desenvolvimento socioeconômico do Ceará; comprometendo o conjunto dos industriais, gestores e colaboradores das nossas fábricas com a construção de uma indústria sintonizada com as transformações tecnológicas, culturais e econômicas em curso nos quatro cantos do mundo; assumindo para si o papel de protagonista do movimento pela inovação e geração de riquezas. E assim eu fui formatando o escopo de conhecimentos, experiências, relações que hoje compõem o background do meu modelo de liderança. Sou e seguirei sendo um aprendiz.

ANUÁRIO: Qual o legado que o senhor pretende deixar ao final da sua gestão?

RICARDO: Volto mais uma vez ao meu discurso de posse, quando afirmei que não faltaria motivação à minha gestão, pois tínhamos os governos como parceiros, as classes produtivas como aliados, a inteligência cearense como instrumento, e o aprimoramento da sociedade como a razão maior de ser e de fazer do nosso trabalho. E ali eu me comprometi a não me aquietar enquanto não conseguisse unir Estado, Empresas e Sociedade, com respeito, altivez e independência, para afirmarmos o Ceará, como referência de solidez, inovação e dinamismo econômico, detentor de um ambiente plenamente favorável aos negócios. Esse verdadeiro pacto pelo Ceará, tendo a indústria como protagonista, acredito, já seria um legado a deixar ao fim do meu mandato.

ANUÁRIO: O trabalho de uma entidade mira em avanços e ganhos para a classe a cada gestão. Como dar continuidade ao plano de desenvolvimento industrial do Ceará? 

RICARDO: Há respostas anteriores que já contemplam a primeira parte desta pergunta, especialmente a que discorre sobre o que vimos fazendo no âmbito do PDI, com as rotas estratégicas e todas as demais ações acessórias. Quanto à segunda parte, é importante destacar que recebemos a Fiec com uma cara nova, organizada, muito bem estruturada física e tecnologicamente e bastante acreditada junto às instituições públicas, privadas e à sociedade como um todo.

O ex-presidente Beto Studart foi um hábil maestro dessa orquestra. Mas quero ressaltar aqui um dos seus principais legados, e que em muito tem contribuído para que possamos caminhar a passos largos rumo ao futuro, que é o Observatório da Indústria. Com ele nós estamos conseguindo gerar informação e produzir conhecimentos abalizados, capazes de nortear decisões mais assertivas e contribuir para a geração de políticas públicas ainda mais coerentes e consequentes, além de ajudarmos as nossas indústrias a serem ainda mais competitivas em âmbito global. Nós estamos avançando em muito na potencialização de soluções geradas a partir do uso da inteligência artificial presente no Observatório da Indústria.

ANUÁRIO: O Sistema S sofre recorrentes ataques, com a ameça de corte de parte de seus recursos, a base das receitas de entidades como a Fiec. Que defesa o senhor faz do Sistema?

RICARDO: O Sistema S tem uma importância histórica para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro, tendo sido responsável pela formação técnica e melhoria da qualidade de vida e empregabilidade de milhões de trabalhadores, contribuindo assim para a melhoria da eficiência e eficácia das empresas nacionais, qualificando os negócios da indústria, comércio, serviços, agronegócios, cooperativas e transportes em todo o País. Criado ainda em meados da década de 1940, hoje é integrado por 9 entidades: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Serviço Social do Comércio (Sesc); Serviço Social da Indústria (Sesi); Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac); Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop); Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e Serviço Social de Transporte (Sest).

No Ceará, desde o momento em que assumi a presidência da Fiec, temos trabalhado conjuntamente, unindo as nossas competências e explorando as capilaridades das nossas estruturas, de modo a otimizar o uso dos nossos recursos, para atendermos de forma mais efetiva às inúmeras demandas das empresas, dos trabalhadores e de suas famílias. Também estamos juntos em todos os fóruns estratégicos, unindo forças aos governos estadual e municipais, às instituições acadêmicas e sociais, de modo a contribuirmos coletivamente para o desenvolvimento do Ceará.