Economia

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A TRANSFORMAÇÃO PÓS-PANDEMIA – O MERCADO E O ESTADO ESG 4.0

 

Célio Fernando B Melo,
economista, pós graduado em Administração Financeira e em Administração de Empresas, mestre em Negócios Internacionais, doutorando em Relações Internacionais. Atualmente, council member Carbon Disclosure Project LaTam, vice-presidente da Apimec Brasil, sócio (afastado) da BFA Investimentos. Secretário-executivo de Regionalização e Modernização da Casa Civil do Estado.

 

 

pandemia nos transformou. Ressaltou dores e um olhar aprofundado para o invisível do senso comum. O mercado e o Estado e suas imperfeições estiveram bem expostos, redefinindo uma sociedade e apresentando mazelas, na forte natureza hobbesiana do ser humano. Nosso pragmatismo ocidental continua sem sustentabilidade, no fazer decidido, quase em uma alusão ao carpe diem, carente de conceitos e reflexões que garantam as futuras gerações. Mostrou um desastre quando da falta de diálogo e uma babel nos monólogos polarizados.

Na busca ignorante dos extremos, muitos culpados e poucas proposições. A ciência e o poder travaram uma luta épica, de dragões e cavaleiros, muitas vezes medieval e até mesmo mitológica. A arte imitando a realidade ganhou séries surreais nas telinhas de hoje, de mudanças genéticas até as conspirações geopolíticas. O final inacabado se apresentou com um elevado número de mortes antecipadas dado o simples relógio biológico. A principal comorbidade foi a social. Os vulneráveis se multiplicaram.

O desemprego ampliado e sem volta, somado à produtividade, avanços tecnológicos e inovações, que exigem pessoas com maior grau de qualificação. Líderes surgiram, comandantes caíram. A guerra fria agora se estabelece em conflitos geoeconômicos do 5G, da eficiência na produção de vacinas e novas conquistas espaciais, “conquistada” a Lua estamos chegando a Marte e a fome não consegue ser vencida ou mesmo priorizada. Novos tempos que se repetem em ciclos históricos.

Ao construir uma linha de tempo sobre as epidemias e pandemias, encontramos pistas importantes para o entendimento e uma compreensão do que está por vir. O contexto e momento históricos revelam pragas e doenças. Em recente matéria do The Economist, “os Booms no períodos pós-pandemias”, podemos ver retratos do nosso dia a dia. Começa no retrato da literatura de Vitor Hugo, Le Miserables (1864) “os ricos fugiram para as casas de campo e se protegeram”, e a personagem Cosette, nessa continuação, não altera o trabalho infantil e de mendicância nas ruas. Na sequência, um Boom em 1889, a exposição universal de Paris traria o apogeu da mudança de época no mundo real, do carro movido a água aos primeiros experimentos de energias fotovoltaicas.

Nos dias de hoje, particularizando o caso brasileiro, temos economias aglomeradas por habitações precárias de alta densidade, menos de dois m² por pessoa e ausência sanitária, sem banheiros, água limpa ou esgotamento, já proliferando inúmeras doenças, em uma relação muito desigual da sociedade. Somente no Ceará, os números da pobreza e extrema pobreza alcançam quase 3,5 milhões de pessoas, em uma população de pouco mais de 9,2 milhões, cerca de 39%, claramente, em condições subumanas. Mesmo na epidemia do cólera o amor sobreviveu, narra García Márquez. No “O Amor em Tempos de Cólera” (1985), em uma das epidemias narradas do século XIX, a dor trouxe um sentimento de maior solidariedade, de visibilidade em plena pandemia. O ano de 2020, da mesma forma, trouxe a ampliação das redes de apoio aos mais vulneráveis, vistas em todo o globo, com maior velocidade.

Em março de 2020, no início da atual pandemia, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa fez um artigo interessante sobre as epidemias e pandemias na história da humanidade. O roteiro começa nos dias de hoje, quando, em 11 de março, a OMS considerou a doença Covid- 19, difundida nos cinco continentes, na data eram contabilizadas 20.000 mortes em todo o mundo. Estava registrado o novo coronavírus, definido como uma família de doenças respiratórias. O vírus Sars-Cov-2 anunciava alterações nas dimensões sociais, políticas e econômicas. E, ao longo de um ano, o próprio teria também suas mutações. A crise sanitária sempre exigiu uma ação de múltiplas dimensões simultaneamente.

A História viveu momentos semelhantes em outras épocas. Exemplo de 427 a.C. a 430 a.C., na Peste de Atenas ou a Peste do Egito; Peste de Cipriano, 250 a.C.; na Peste Antonina ou de Peste de Galeno de 165 a.C. a 180 a.C., todas alteravam as forças existentes e dizimavam populações. Mais recentemente, a praga de Justiniano entre 541 a 750 d.C., e no século XI, a lepra ou Doença de Hansen castigou a Europa, mas foi na Grande Peste de 1347, que se estima terem sido perdidas de 1/3 a metade da população europeia. A pandemia de peste bubônica alcançou todo o mundo dito civilizado da época.

O estudo da Universidade Lisboa também descreve o intercâmbio colombiano e a morte dos astecas e dos tainos por doenças como sarampo e peste bubônica. Um mundo começando a se globalizar na contaminação intercontinental. O vírus da gripe e a cólera no eixo sino-europeu ocorreu por diversas vezes de 1580 a 1961, sendo a mais forte a Gripe Espanhola (1918-1919), no final da Primeira Guerra Mundial. Acredita-se que a letalidade tenha sido entre 50 a 100 milhões de pessoas, com um contágio de 500 milhões em todo o mundo.

Na história recente, Sida e Ebola foram os vírus mais assustadores, seguidos do H1N1 e outras variações de gripes asiáticas do terceiro milênio. Nos trópicos, Dengue, Zika e Chikungunya são descritas como preocupantes no mesmo artigo da Faculdade de Medicina de Lisboa. Em todos os casos, a dor e o avanço da civilização na medicina e tecnologia. Novos tempos, novas aprendizagens e um mundo impactado por riscos globais de doenças infecciosas que se alastram cada vez mais rapidamente.

Nada incomum na história da civilização, a não ser pela aceleração, tanto dos contágios como das vacinas. O ponto de mutação não consegue mais ser distinguido no tempo. De uma forma contínua, novas cepas/variantes – agora a variante Delta se aglomeram sem distância da humanidade. Uma compreensão de uma linha do tempo dinâmica que exige um olhar atento e profundo em um pensamento complexo, sem simplificar.

Novos modelos e ferramentas surgem e uma revisão de paradigmas. O Estado convencional pode ser reescrito no que denominamos o Estado ESG 4.0. Políticas ambientais iniciam a nova trajetória sem preconceitos ideológicos, como sobrevivência diante das variações climáticas, no novo projeto de desenvolvimento econômico. Alterações antropocêntricas no desmatamento ou plásticos nos oceanos ampliam as anomalias simbióticas na fauna e flora, incluindo a própria humanidade.

O E (envirommental) pós-pandêmico está acentuado em qualquer mercado e, principalmente, no Estado. Seguem-se as preocupações com S (Social) diante da amplitude dos hiatos cada vez maiores em todos os países do Globo, relacionados ao forte desemprego e escassez de alimentos e matéria-prima. O mercado e o Estado se assemelham e se complementam na busca da eficiência, com produtividade e desemprego. Devem, em conjunto, cooperarem para minimizar os efeitos do stress pandêmico sanitário e tecnológico e suas mutações. Nesse tripé inicial, o G (Governance) parece merecer um maior debate na chamada busca da eficiência político-institucional, definindo articulações e integração do Estado-mercado.

As ameaças à democracia e a necessidade de instituições fortalecidas estão presentes no desenho pós-pandêmico, principalmente em economias mais vulneráveis, no qual imperam populismos. Não obstante, encontraram berço nos dias de hoje em nações desenvolvidas, através de discursos hiperbólicos nacionalistas e xenófobos. A narrativa do conflito muitas vezes supera a da cooperação quando a natureza das lideranças não consegue adensar um discurso propositivo.

A ciência é um dos fatos desse destempero. Menos ciência revela menos conhecimento e uma espiral de um ciclo vicioso. A crítica não busca caminhos para os polarizados e, sim, uma destruição não criadora de soluções. No entanto, a transformação existe e ocorre velozmente. Desde 2014, o Fórum Econômico de Davos vem se manifestando com ênfase sobre a Indústria 4.0. Fronteiras de uma indústria acelerada com a robótica, big data, sistemas integrados, realidade aumentada, Cyber Security, computação em nuvem, IoTs e várias outras transformações digitais que alteram o próprio conceito para uma Indústria de Serviços.

Passamos a pandemia tecnológica, que patrocina a produtividade, reduzindo os postos de trabalhos atuais e criando postos em outras áreas, no entanto, uma mão de obra qualificada. Regiões impactadas pelo desemprego funcional terão dificuldades maiores na adaptação para a mudança de época em curso. A pandemia acelerou o futuro e a educação de uma geração se encontra comprometida. O Estado precisa trabalhar a cooperação com o mercado e juntos definir uma nova ordem de inserção sem comprometer as gerações futuras. As restrições do orçamento de capital devem ser melhor avaliadas para a escolha dos investimentos prioritários públicos e ao mesmo tempo associadas às demandas de mercado e ao novo ciclo de inovações e tecnologia das atividades produtivas.

No Brasil, celeiro do mundo, drones e máquinas se reorganizam na relação da mão de obra e trabalho, nas grandes glebas de produção agrícola. Agriculturas familiares também necessitam estar na mesma “vibe” e encontrarem cada vez mais tecnologias e desenhos cooperados, principalmente, que sejam integrados às cadeias produtivas, seja no abastecimento de insumos, seja no escoamento e comercialização.

Os desafios dessa “nova era” são muito grandes, como foram em todas as mudanças de época. Um novo iluminismo se faz presente. Embora estejamos vivendo uma esquizofrenia no debate ideológico, traduzindo extremistas ou nacionalistas, “de esquerda ou de direita”, liberais historicamente em confronto com os conservadores se alinham por razões não ideológicas, fala- se em capitalismo de Estado ou até socialismo de mercado, qualquer reflexão crítica se perde na rotulação apedeuta de que sair dos extremos é o arrependimento de um pseudo apoio a alguma facção.

A narrativa é pobre pela falta de propósitos. Os hiatos se agravaram por deformações do sistema político, alterações do sistema econômico e por manifestações populistas entrópicas sem a densidade necessária das políticas públicas e pactos intergeracionais.

O mercado segue com a adaptação às questões do ESG e em sua busca de competitividade o foco na indústria 4.0. O Estado institucionalmente deve ser desburocratizado e ter uma regulamentação adequada para as questões ambientais, aderindo aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável até 2030. Na governança, melhorar a eficiência político- institucional e ter um Estado que melhore o atendimento dos serviços públicos, considerando a transformação digital e o papel básico na Educação, Saúde e Segurança.

No campo Social, a igualdade de oportunidades e processos de proteção social para os mais vulneráveis, definindo condicionantes que ofereçam transições. O Estado ESG 4.0 serve ao cidadão em um conjunto de diretrizes e objetivos reconhecidos internacionalmente e deve ter cada unidade subnacional signatária e comprometida com a nova plataforma, diante das questões do clima, os hiatos sociais, a eficiência e o uso dos mais modernos recursos tecnológicos.

Para muitos, essa nova era seja o real paradoxo global. Um design de um mundo acelerado em suas transformações, tecnológicas-ambientais-sanitárias, exigindo maior profundidade nas discussões e maior uso da ciência com velocidade.

 

PREÂMBULO

A economia mundial passa por um processo de recessão econômica causada pelos impactos da pandemia da Covid-19. A necessidade de controlar os avanços na contaminação da doença e a forte pressão por internação nos sistemas de saúde, levam a ciência e os infectologistas a recomendarem como medida mais prudente o isolamento social.

A medida, por restringir a circulação de pessoas, afeta a economia e os setores denominados como ‘’não essenciais’’, que tiveram que se adaptar a um período sem atendimento ao público. Durante praticamente todo o ano de 2020 parte dos setores funcionaram sem a capacidade máxima de atendimento, com destaque aos setores de eventos, turismo e alimentação fora do lar, que certamente foram imensamente impactados pela pandemia.

Por outro lado, alguns setores destacaram-se durante o ano, com expressivo crescimento de receita, como os setores de telecomunicação e os de comércio eletrônico, por exemplo.

Em todo o mundo, os governos necessitaram conter os avanços do desemprego e a falência em massa das empresas, para isso, emitiram moeda e, por meio de programas de assistência social, destinaram recursos financeiros para famílias, pessoas e empresas, com destaque para os informais. Tais medidas devem refletir, ainda no curto prazo, as finanças dos governos e dos estados, que serão pressionados por ajustes nas taxas de juros para conter a inflação e o déficit fiscal, com o aumento do gasto público frente à redução das receitas.

PIB

Com base em toda essa conjuntura, o PIB brasileiro caiu 4,1% em 2020, o que representa a maior queda dos últimos 24 anos, tendo interrompido uma sequência de crescimento econômico acumulado de 3,6% de 2017 a 2019 e distorcendo a boa perspectiva de crescimento econômico da Brasil do final do ano de 2019, quando a pandemia ainda não afetava diretamente a economia do País.

Com exceção da agropecuária, que cresceu 2% no ano de 2020, todos os setores decresceram no ano de 2020: indústria (-3,5%), serviços (-4,5%). Para 2021, a perspectiva dos economistas é de crescimento econômico na casa de 3,2% (Gráfico 1).

 

ECONOMIA DAS REGIÕES E DOS ESTADOS

Como os dados econômicos oficiais por Estado apresentam uma defasagem de pelo menos dois anos, os impactos da pandemia da Covid-19 na economia ainda não conseguirão ser retratadas nos números expressos nesse capítulo.

Mais da metade da economia brasileira está concentrada na região Sudeste, com 53,1% de participação no PIB Nacional. O Nordeste é a terceira região de maior participação no PIB nacional com 14,3% de participação na economia, ficando atrás também do Sul, que concentra 17,1% da economia. As regiões Centro-Oeste e Norte representam 9,9% e 5,5% da economia do Brasil, respectivamente. 

Na lista dos estados do Nordeste o Ceará apesenta-se como o terceiro Estado mais representativo, tanto na economia do Nordeste, como na Economia nacional. Com 2,2% de participação na economia nacional, o Estado fica atrás de Pernambuco com 2,7% e da Bahia, com 4,1% de participação. Na região Nordeste, o Ceará representa 15,5% da economia da Região.

Em relação à economia nacional, o Ceará ocupa atualmente a 12ª colocação no PIB nacional, com participação recorde de 2,25%.


PIB CEARÁ 2020

Segundo os dados do Ipece de 2020, a Economia do Ceará teve uma queda menor do que a nacional, com uma redução de 3,56% em 2020 em relação a 2019. No caso do PIB brasileiro, a redução no período foi de 4,1%.

Dentre os setores econômicos, destaca-se o desempenho agropecuário, que cresceu 10,31% no período, enquanto a nacional cresceu 2% no setor. Pelo lado negativo, a Indústria Cearense apresentou uma redução de 7,11% no período e o setor de serviços registrou uma queda inferior à queda nacional, com 3,5% de redução.

Na análise trimestral, percebe-se que o último trimestre do ano já refletiu um pouco da reabertura das atividades econômicas, com registro de uma queda de 0,17% no período. Enquanto a queda nacional foi de 1%.
Em relação a participação dos setores econômicos no valor adicionado da Economia cearense, destaca-se o setor de serviços com 76,74% de participação, seguido da indústria com 18,09% e do setor da agropecuária com 5,17%.

No caso da indústria, destacam-se as atividades da Indústria de Transformação e a de Construção, com 9,27% e 7,83% de participação no valor adicionado, respectivamente. Em relação ao setor de serviços temos Administração, Educação, Saúde, Pesquisa e Desenvolvimento públicos, Defesa e Seguridade Social; o Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas; Atividades imobiliárias, com 23,67%, 14,54% e 10,49%, respectivamente, em relação à participação do Valor Adicionado estadual.

EMPRESAS 2020

As desigualdades vividas no País tornaram-se mais explícitas em tempos de pandemia. Os esforços do setor público para suprir os mais carentes não ofuscam o abismo entre as classes no Brasil. No entanto, em um ano atípico e disruptivo, o empreendedorismo se mostrou um forte aliado para uma parcela da população que se via sem emprego e perspectivas. O número de microempreendedores individuais (MEI) cresceu e pôde ser traduzido em um total de 2.692.311 empresas abertas em 2020, 79,4% de todas as empresas abertas no período.

O total de empresas abertas no país em 2020, 3.391.931, representou um aumento de 8,7% em relação a 2019, figurando um recorde histórico. Dentre as regiões, a Norte (20,9%) se destacou com o maior crescimento em termos de abertura de empresas, seguida da Centro-Oeste (13,3%), Sul (11,5%), Sudeste (6,7%) e Nordeste (6,6%) (Tabela 02).


Nesse contexto, vale ressaltar também o tempo médio de abertura de empresas no País. A partir do mês de junho de 2020, constatou-se uma sensível queda nos tempos de análise de tal processo, possivelmente refletindo o empenho da administração pública em promover uma gestão mais digitalizada e ágil. Dentre as regiões, o Nordeste apesar de apresentar sensível melhora na métrica, ainda se viu em desvantagem frente às demais regiões.

No âmbito das atividades das empresas no País, é possível notar uma forte predominância de atividades do setor terciário da Economia, referente ao comércio e prestação de serviços, os quais, em conjunto, somam mais de 80% das empresas ativas.

 

RENDA DOMICILIAR

Já a renda domiciliar per capita nominal mensal no País em 2020 ficou em R$ 1.380, frente um valor de R$ 1.439 em 2019. Assim, observa-se que mesmo diante de um montante de R$ 293,1 bilhões de auxílio emergencial que beneficiou 67,9 milhões de brasileiros em 2020, o poder de compra do brasileiro no período diminuiu.
A renda domiciliar per capita mais alta foi registrada no Distrito Federal, de R$ 2.475, enquanto a mais baixa era a do Maranhão, R$ 676. O Ceará, em um meio termo, apresentou uma renda média de R$ 1.028

EMPREGOS

No tocante emprego, em 2020 foram gerados 142.690 empregos (15.166.221 admissões e 15.023.531 desligamentos). O estoque de empregos formais no País chegou a 38.952.313 vínculos, resultado positivo apesar do lockdown vivido em grande período do ano. A virada de chave ocorreu em julho, com retomada acentuada e recordes na geração de empregos formais, com destaque para o mês de novembro. Segregando a análise por setores, apenas o setor de serviço apresentou um saldo negativo no ano (-132.584). Por outro lado, a construção e indústria lideraram o ranking com 112.174 e 95.588, respectivamente.

BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL

A pandemia da Covid-19 reduziu significativamente a demanda e a oferta dos bens transacionados entre os países, impactando as economias e as respectivas transações comerciais. No acumulado de 2020, a balança comercial brasileira de bens teve queda de 7% e 10,4% nas exportações e importações, respectivamente, na comparação com o ano anterior. Diante do pior desempenho das exportações e importações, a corrente comercial, que é o somatório das duas variáveis, caiu 8,4%, em 2020, comparativamente a 2019, totalizando o montante de US$ 368,7 bilhões.

O câmbio, por sua vez, foi um fator que favoreceu as exportações brasileiras em 2020, quando orbitou na casa dos R$ 4 no primeiro trimestre de 2020, porém avançou consideravelmente, permanecendo acima de R$ 5 no restante do ano. Em maio de 2020, o câmbio R$/US$ atingiu R$ 5,86, o que representa a máxima histórica desde a implantação do Plano Real. Por outro lado, as importações brasileiras ficaram mais caras afetando todos os setores da Economia brasileira.

 

BALANÇA COMERCIAL POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO

O estado de São Paulo liderou as exportações brasileiras, perfazendo 20,3% do total do País. Entretanto, o montante retrocedeu no ano, quando comparado com 2019, caindo 9,3%. O saldo da balança comercial de São Paulo ficou negativo em US$ 7,4 bilhões. Por sua vez, o estado de Minas Gerais ultrapassou o Rio de Janeiro, com valores exportados de US$ 24 bilhões e US$ 23,6 bilhões, respectivamente. Vale ressaltar que esses dois estados apresentaram saldos positivos na balança comercial. Por outro lado, o Ceará caiu uma posição, ficando no 15º lugar no ranking dos estados brasileiros exportadores.

Das vinte e sete Unidades da Federação, treze registraram queda no valor das exportações em 2020. As que registraram maiores crescimento das exportações foram: Alagoas, Roraima, Tocantins e Amapá, todas com crescimento acima de 15%.

Analisando pela ótica das importações, São Paulo também figura como protagonista, com 34,1% do total importado pelo País. Os estados do Rio de Janeiro (11,6%) e Santa Catarina (10,1%) ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente. O Ceará saltou para o 12º lugar no ranking dos estados brasileiros, ante a 14ª posição observada em 2019.

Oito estados brasileiros registraram crescimento das importações em 2020, comparado a 2019, com destaque para Roraima, Amapá, Acre e Tocantins, com crescimento acima de 40%.

BALANÇA COMERCIAL DO CEARÁ

As exportações cearenses começaram a sentir o efeito negativo da pandemia já no início de 2020, quando atingiram o menor valor em maio (US$ 118 milhões), sendo esta a menor cifra da série desde abril de 2017. Em junho e julho foi observado um leve aumento, entretanto reverte a tendência, caindo novamente nos dois meses posteriores. A série então renovou a mínima no mês de novembro (US$ 114 milhões). Acerca das importações, verifica-se que essas orbitaram em torno da média de 2020 (US$ 201), registrando US$ 209 no último mês do ano. Vale ressaltar que além do cenário da pandemia, a taxa de câmbio encontrava-se em valores mais elevados.

Na comparação de 2020 com 2019, o valor das exportações cearenses registrou queda de 18,5%, enquanto o das importações ficou estável, registrando alta de 2,4%. O Ceará manteve seu perfil de importador líquido, apresentando resultados negativos para as exportações diante dos efeitos da crise da Covid-19, enquanto as importações se mantiveram estáveis, mesmo com a alta na taxa de câmbio que, por sua vez, favorece as exportações e desfavorece as importações. O saldo da balança comercial manteve-se negativo (US$ 564 milhões), sendo o maior valor dos últimos quatro anos. A corrente de comércio somou o valor de US$ 4,3 bilhões em 2020, redução de 7,9%, com relação ao verificado em 2019.

A tabela 6 apresenta os números das exportações e importações do estado do Ceará de 2010 a 2020. As exportações atingiram um máximo em 2018, enquanto as importações, em 2016. Durante todo o período sinalizado, o Estado manteve um perfil de importador líquido. Ademais, apenas no triênio 2003-2005 o Estado foi exportador líquido.

O desempenho das exportações cearenses em 2020 mostrou-se mais reprimido do que as exportações nacionais, quebrando assim a tendência de ganho de participação das exportações do Ceará no total nacional que vinha ocorrendo desde o ano de 2015. Dessa forma, as exportações do Ceará representaram 0,89% do total exportado pelo Brasil. A participação das exportações cearenses no total do Nordeste também apresentou o mesmo comportamento, passando de uma participação de 13,43%, em 2019, para 11,51% em 2020. Pode-se observar que a participação das exportações do Nordeste no total do Brasil foi maior em 2020 (7,66%) do que a registrada em 2019 (7,70%).

Com relação à participação das importações do Ceará no total do Brasil, observou-se ganho em 2020, comparado a 2019, atingindo a marca de 1,52%. No total das importações do Nordeste a participação do Ceará registrou o maior valor em 2020 (16,74%), à exceção de 2016 que foi um ano atípico das importações cearenses. Já a participação das importações do Nordeste, em 2020, foi de 9,78% do total do Brasil, a menor participação da série desde 2015.

No ano de 2020, o estado do Ceará exportou principalmente para a América do Norte, Ásia, Europa, União Europeia e América do Sul. Esses cinco blocos econômicos foram responsáveis por 92% do total das exportações cearenses.

Pela ótica dos principais blocos econômicos dos quais o estado do Ceará importou, figuram nas primeiras posições: Ásia, América do Norte, Europa, União Europeia e América do Sul, nessa ordem. Somente esses blocos totalizaram 90% das importações cearenses.
As exportações cearenses com destino para os Estados Unidos sofreram forte redução em 2020 (-30,43%), mas ,ainda assim, continuou sendo o principal destino das vendas externas do Ceará, com valor de US$ 710,2 milhões e participação de 38,1%.

A China foi o país de destaque nas exportações cearense, passando da 11ª posição no ranking de destino para o segundo maior país de destino das exportações cearenses. Assim, o valor exportado para esse país cresceu 458,3%, atingindo o valor de US$ 256 milhões e participação de 13,8%.

O Canadá aparece em terceiro lugar, com participação de 6,48% e valor de US$ 119,7 milhões. O Ceará ampliou as vendas para esse país, com crescimento de 108,3%. A Turquia está em quarto lugar (4,7%), com crescimento de 34,4% no valor exportado.
As importações cearenses em 2020 tiveram origem principalmente dos Estados Unidos com participação de 30,1% e com valor de US$ 708,5 milhões, ficando próximo do valor importado em 2019.

A China foi o segundo país de onde o Ceará mais importou em 2020 (US$ 562,8 milhões e participação de 24%), com crescimento do valor importado de quase 35,8% quando comparado com 2019.

Em terceiro lugar figura a Argentina cujas importações corresponderam a US$ 174,8 milhões em 2020 (participação de 7,5%), entretanto tal valor foi ligeiramente inferior ao verificado em 2019 (-4,31%). Em seguida, aparece a Dinamarca da qual o Ceará importou US$ 152 milhões, o que representou um aumento de 412%, perfazendo a participação de 6,5% das importações do Estado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Auxílio emergencial pagou R$ 293,1 bilhões a quase 68 milhões em 2020. Notícias R7. Disponível em: https://noticias.r7.com/economia/auxilio-emergencial-pagour-2931-bilhoes-a-quase-68-milhoes-em-2020-18032021

Brasil encerra 2020 com saldo positivo na geração de empregos formais. Ministério da Economia. Disponível em: https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/noticias/2021/trabalho/janeiro/brasil-encerra-2020-com-saldo-positivo-na-geracao-de-empregos-formais

Número de abertura de novas empresas bateu recorde histórico em 2020. Rede Jornal Contábil. Disponível em: https://www.jornalcontabil.com.br/numero-de-aberturade-novas-empresas-bateu-recorde-historico-em-2020/