Especial – Geopark Araripe

Especial – Geopark Araripe

Especial

Turismo Regional – O Sertão como Protagonista

Crédito: Karlson Gracie

s projetos de geração de renda a partir do turismo na área do Geopark Araripe ganham força a partir das ações implementadas pelos diferentes agentes que acreditam na potencialidade da iniciativa. De acordo com Patrício Melo, um dos maiores desafios enfrentados é a apresentação ao turista de uma experiência que o envolva a partir dos sentidos. Segundo ele, esse estímulo passa pelo estabelecimento de redes hoteleira e gastronômica capazes de garantir uma estadia prazerosa.

Atividades ao ar livre não faltam. Trilhas ecológicas, cachoeiras, observação de pássaros e o maior single track (modalidade de mountain bike praticada em terrenos de terra) do Brasil são algumas das atrações apontadas pelos empresários Demétrio e Samir Jereissati, pai e filho que levam adiante a “Causa Cariri”. Entusiastas das potencialidades turísticas da região, os dois comandam o Iuá, hotel localizado em Juazeiro do Norte (CE) que oferece ao público passeios para diferentes geossítios a bordo da “doblossauro”, um Fiat Doblô que possui uma réplica de pterossauro no topo do veículo. Para além da oportunidade comercial que o hotel apresenta, os dois buscam divulgar ao mundo as riquezas naturais e culturais do sertão para quem visita o lugar.

“Você pode ir no início da manhã, às 10 horas ou até ao meio-dia. Você vai encontrar um clima ameno. A Chapada tem um microclima muito propenso à atividade outdoor”, afirma Samir. Conhecedores das experiências disponíveis na região, Demétrio e Samir destacam o potencial do lugar para o turismo de experiência, que acaba envolvendo a população local em oportunidades de geração de renda que surgem a partir de atividades economicamente sustentáveis.

“A gente consegue oferecer uma experiência diferente para o turista e consegue inserir nessa cadeia de turismo pessoas que estariam fora. Pequenas pousadas, restaurantes em casas de famílias, artesãos, doceiros, repentistas, inúmeros personagens que estão lá e só precisam ser chamados para fazer parte”, analisa Demétrio. 

A fim de impactar positivamente os visitantes que buscam o Geopark Araripe como opção turística, Demétrio explica que a doblossauro é disponibilizada até mesmo para os turistas que se hospedam em outros hotéis, não necessariamente no Iu-á. “O que importa é que ele sai feliz com a região, que ele entenda o que é o Cariri cearense, um lugar em que ele ficou tocado, sentiu uma magia e que quer voltar.”

Mas o ímpeto turístico em direção ao sertão esbarra na fama que o litoral cearense possui. De acordo com Allysson Pinheiro, falta uma cultura de valorização das viagens ao Estado que não tenham o mar como protagonista. “A gente precisa entender que o Ceará é muito mais do que só praia. O Interior do Ceará é riquíssimo de oportunidades, para que as pessoas possam conhecer e se impressionar, levar para casa uma sensação boa por conhecer algo diferente”, analisa.

Para além de grandes empreendimentos como o Iuá, o pesquisador aponta como trunfos para o desenvolvimento turístico os pequenos negócios movimentados por moradores da região. Allysson conta que artesãos e comerciantes locais atuam como parceiros ao manifestar o interesse de instalação de pequenas lojas nos terrenos dos geossítios para comercialização de souvenirs e outros produtos com a temática do Geopark Araripe. 

Diferentes atividades vêm sendo implementadas com o objetivo de divulgar o Geopark Araripe e, assim, atrair visitantes. Os Correios chegaram a lançar selos comemorativos em alusão aos 10 anos do projeto e, de acordo com a Secretaria do Turismo do Estado do Ceará (Setur), o Geopark está contemplado no plano de promoção e marketing da pasta, que não disponibiliza uma verba específica para o atrativo, mas o inclui nas divulgações realizadas pelo Governo do Estado em feiras de turismo de que a Setur participa. 

Outro importante avanço tem tomado forma no interior do território do Geopark Araripe, a partir de trabalhos de educação ambiental junto à população da região. “A comunidade do Cariri precisava entender a importância do Geopark Araripe para vender esse território como um destino turístico sustentável”, afirma Patrício.