70 anos da Fiec: Uma Efeméride na Pandemia

70 anos da Fiec: Uma Efeméride na Pandemia

Especial

Rotas Estratégicas definem para onde ir

Rotas Estratégicas definem para onde ir
Crédito: KARLSON GRACIE

 decisão da Fiec foi ir além do papel institucional e buscar vantagens competitivas para as indústrias do Ceará. Como parte desta mudança de rumo, era preciso definir para onde ir. Qual a rota. Quais as rotas. Desse modo nasceu a ideia de identificar as deficiências de cada segmento e trabalhar, juntando governo e empresários.

O trabalho foi estruturado em três eixos principais para definir as estratégias. São eles: Prospecção de Futuro para a Competitividade Setorial; Inteligência Competitiva; e Cooperação e Ambiência para o Desenvolvimento. O programa teve como referências iniciativas realizadas pelas federações do Paraná, a Fiep, e de Santa Catarina, a quase homônima Fiesc.

A equipe responsável mirou nos exemplos de contribuições da sociedade ao planejamento econômico estadual e iniciativas de maior importância para o desenvolvimento industrial local das últimas duas décadas. Somente após esta etapa, começaram a ser desenhadas as rotas estratégicas a serem percorridas. Noutros termos, caminhos mais adequados para cada um dos setores. A bússola das rotas tem grandes tendências e grandes carências também, como inovação.

Foram escolhidos 17 setores identificados como promissores para o desenvolvimento do Estado, reagrupados em 14 Rotas Estratégicas: Água; Biotecnologia; Construção e Minerais Não-Metálicos; Economia do Mar; Eletrometalmecânico; Energia; Indústria Agroalimentar; Logística; Meio Ambiente; Produtos de Consumo; Saúde; Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC); Turismo e Enconomia Criativa; e Segurança Pública.

O chamado Programa para Desenvolvimento da Indústria é o guarda-chuva onde se abrigam as rotas. Elas partem da mesma premissa: o fortalecimento de setores intensivos em tecnologia e conhecimento, a reorientação de setores tradicionais, atentando, por exemplo, para a sustentabilidade.

Os marcos temporárias são 2018, 2020 e 2025. No plano de voo a ser seguido em cada uma das rotas, mapas dos caminhos a serem percorridos com base em estudos socioeconômicos, levantamento de tendências tecnológicas, sociais e setoriais.

 

CONHEÇA AS ROTAS

ÁGUA

O estudo apresenta informações em termos mundiais, relativizando, o papel do Brasil. Também aborda a gestão dos recursos hídricos no Brasil e no Ceará. Um dado: o Ceará possui uma demanda hídrica total de 929.920 m³ de água por dia, uma representação de 16% do Nordeste e 4% do Brasil, valores similares à participação da população do Estado. Quanto à demanda, a irrigação é a principal responsável (58%), seguida pelo consumo urbano (23%). Na sequência, um panorama sobre oferta, demanda, bem como um balanço da situação hídrica. Preocupou-se, também, em levantar informações sobre saneamento básico e qualidade. Inclui ainda análises sobre o segmento de aquicultura e o mercado de trabalho, bem como, o panorama dos cursos de graduação e pós-graduação e dos grupos de pesquisa afins do setor. São mostradas as diversas ações de investimentos.

 

BIOTECNOLOGIA

O setor de biotecnologia se caracteriza por ser uma área transversal. Há atividades biotecnológicas em áreas como saúde humana, saúde animal, agricultura, energia e meio ambiente. Após contextualizar o setor em termos mundiais e brasileiros, aponta as localidades em que a área se destaca. Tem informações sobre a produtividade. O setor no mundo indica uma forte prevalência de empresas com menos de 50 funcionários, indicando ser intensiva em tecnologia e com alta produtividade por funcionário, provavelmente a partir da incorporação de técnicas biotecnológicas ao seu processo produtivo. Ademais, lista ativos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com um panorama dos cursos de graduação e pós-graduação e dos grupos de pesquisa com alguma relação com a área. São mostradas informações sobre os depósitos de patentes, tanto no mundo, como no Brasil.

 

CONSTRUÇÃO E MINERAIS NÃO-METÁLICOS

O conteúdo traz a produtividade do setor, objetivando destacar o valor produzido por trabalhador. A seguir, um panorama do mercado de trabalho, destacando os empregos e os estabelecimentos do setor, em diversas tabulações. As análises do comércio internacional estão na seção seguinte, e, logo após, são apresentados os ativos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com um panorama dos cursos de graduação e pós-graduação e dos grupos de pesquisa com alguma relação com o setor. Na geração de empregos, o Ceará é o 10º no ranking, com cerca de 95 mil empregos, o que representa 3,1% do total. Do mesmo modo que no setor de Construção, São Paulo também se destaca no valor da transformação industrial de Minerais Não-Metálicos, com 32,48% de participação nacional. O Ceará, por sua vez, ocupa a 14ª posição no ranking, com 1,6% de representação.

 

ECONOMIA DO MAR

A Rota Estratégica de Economia do Mar apresenta os subsetores com suas informações específicas. Faz um panorama do mercado de trabalho, destacando os empregos e os estabelecimentos do setor, em diversas tabulações. Na indústria naval, no total das exportações por estado, o Rio de Janeiro foi aquele com maior representatividade: 81,8%, devido à sua presença dominante no segmento de construção de embarcações e estruturas flutuantes. Depois vêm Rio Grande do Sul e São Paulo, nesta ordem. O Ceará, com apenas 0,07% de participação, foi o 7º colocado neste ranking. Alguns dados: considerando a carga de Longo Curso que passa pelo Ceará, o valor é muito concentrado em Derivados de Petróleo e Carvão Mineral, responsável por 63,77% do total. A seguir aparecem Cereais (13,71%) e Contêineres (13,29%).

 

ELETROMETALMECÂNICO

Após contextualizar o setor em termos mundiais, relativizando, a atuação do Brasil, apresenta a produção no País, incluindo tabulações por subsetores; neste caso, há relativização do Ceará com as demais unidades federativas. Na sequência, informações sobre a produtividade do setor, objetivando destacar o valor produzido por trabalhador. Inclui uma visão geral do mercado de trabalho, destacando os empregos e os estabelecimentos do setor, em diversas tabulações. São mostradas as diversas ações de investimentos. Em tempo: o Brasil ocupa a sétima colocação no ranking mundial de produção, com 3,7% de representação. Sobre a produção nacional do setor Eletrometalmecânico, o Ceará ocupa o 12º lugar, com participação de 0,6%. Pouco, mas cresceu 63,8% no período de 2007 a 2013. A entrada em operação da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) puxa este desempenho para cima.

 

ENERGIA

Uma seção é dedicada à geração de energia no País, incluindo tabulações por subsetores; neste caso, há relativização do Ceará com as demais unidades federativas. O Ceará, responsável por 2,7% do total brasileiro, apresentou um crescimento de 260,6% em sua produção. Esse resultado pode ser atribuído aos investimentos realizados no Estado referentes às usinas eólicas e termoelétricas. Sobre a capacidade instalada no País para geração de energia elétrica, o Ceará responde por 1,8% da capacidade, com a 16ª posição no ranking. O Estado possui previstos cerca de 2.300 megawatts a mais do que sua atual capacidade, sendo que essa adição representa 5,4% do total no País. No caso das eólicas, o Estado possui 20% de participação nacional, além de ser responsável por cerca de 26% da potência dos empreendimentos futuros no Brasil. Com relação às termoelétricas, a participação cearense é de 4,9%, porém, o Estado terá quase 18% de participação na geração dos próximos empreendimentos.

 

INDÚSTRIA AGROALIMENTAR

O ranking com os maiores produtores, composto por países populosos, evidencia também a relação entre população e valor adicionado na atividade. O Brasil ocupa a 5ª colocação, com produção avaliada em US$ 3,3 trilhões, ou seja, 3,4% do valor global. Em relação à produção de alimentos pela indústria, o Ceará ocupa a 10ª posição, com 1,8% do total. Quanto à produção de bebidas, o Ceará, com 2,6%, ocupa a 11ª posição. Considerando a produção agrícola, o Ceará é 10º colocado geral, com 1,6%, e o terceiro no Nordeste. O Estado é o maior produtor brasileiro de castanha de caju (58,4%). É ainda o maior produtor brasileiro em termos de aquicultura, com 16,4% do total nacional. Lidera em camarão, com quase metade da produção nacional. Na indústria de alimentos, ocupa 8,3%. Com relação à pauta de exportações no Ceará, ela é bem concentrada em cinco produtos — melões (25%) e castanha (20%) são destaques. A pauta de Importação tem como âncora os produtos de trigo, com 31,1% do total.

 

LOGÍSTICA

A rota mapeia o quadro atual e os potenciais do Estado, destacando os portos — Mucuripe (federal) e Pecém (estadual), em parceria com a estatal holandesa Port of Rotterdam — e aeroporto (concedido à alemã Fraport). Rastreia os modais referentes à qualidade, à infraestrutura atual e à intensidade de uso. Mostra panorama do mercado de trabalho, destacando os empregos e os estabelecimentos do setor, em diversas tabulações. Há análises do comércio internacional os ativos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, com um panorama dos cursos de graduação e pós-graduação e dos grupos de pesquisa com alguma relação com o Setor. Em tempo: segundo a “Pesquisa CNT de Rodovias 2014”, base para a Rota, o Ceará tem apenas 6% do modal classificado como ótimo ou bom, contra 10% no Brasil. O Estado, por sua vez, ocupa a 11ª colocação nesse ranking, com uma malha de 53.922,2 km, o que representa 3,1% da nacional.

 

MEIO AMBIENTE

Apresenta as características e potencialidades econômicas no Ceará. Aponta as atividades econômicas e impactos ambientais gerados. Na sequência é abordada a infraestrutura e sua relação com o meio ambiente. Explora também degradação, legislação e gestão ambiental. Faz panorama dos cursos técnicos, de graduação, de pós-graduação e dos grupos de pesquisa com alguma relação com a área. Em tempo: o Ceará tem 93% de seu território inserido na região do semiárido do Nordeste, o qual, por sua vez, se caracteriza pela alta vulnerabilidade aos fenômenos da seca. Por outro lado, o clima predominante é o tropical quente, com 2.800 horas anuais de exposição ao sol, o que se constitui em diferencial turístico para o Estado. A rota lista os ativos ambientais com interesse turístico, como o litoral, parque de Ubajara e o Geopark Araripe. Quanto ao Potencial Poluidor Degradador (PPD) para atividades econômicas, 19% das indústrias (transformação e extração) cearenses possuem um alto PPD, enquanto que, em termos nacionais, essa participação é de 26%.

 

PRODUTOS DE CONSUMO

A Rota apresenta o setor em termos mundiais, relativizando, naturalmente, a atuação do Brasil. Uma seção é dedicada à produção no País, incluindo tabulações por subsetores; nesse caso, há relativização do Ceará com as demais unidades federativas. Na sequência, informações sobre a produtividade do setor, objetivando destacar o valor produzido por trabalhador. A seguir, um panorama do mercado de trabalho, destacando os empregos e os estabelecimentos do setor, em diversas tabulações. As análises do comércio internacional estão na seção seguinte, e, logo após, são apresentados os ativos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com um panorama dos cursos de graduação e pós-graduação e dos grupos de pesquisa com alguma relação com o setor. Por fim, são mostradas as diversas ações de investimentos.

De acordo com o total do Valor da Transformação Industrial (VTI), São Paulo e Santa Catarina possuem, conjuntamente, quase metade do VTI de Confecções do País. O Ceará, com 6,49%, ocupa a quinta posição. Em calçados e couro, por sua vez, o Ceará ocupa a 3ª posição, com 13,79% do VTI do Brasil, indicando a força do setor no Estado. Os maiores destaques, porém, são Rio Grande do Sul e São Paulo, com 30% e 19,36%. No segmento de móveis, o Ceará ocupa a 11ª posição, com participação de 1,7% no VTI brasileiro. São Paulo (25,4%), Rio Grande do Sul (20,9%) e Paraná (16,6%). Confecções concentram 45% dos vínculos do setor no País e 42% no Estado. Nas exportações, quanto a calçados e couro, o indicador do Ceará (27,5%) é maior do que o brasileiro (24,1%).

 

SAÚDE

A Rota Estratégica de Saúde apresenta o setor em termos mundiais, relativizando, naturalmente, a atuação do Brasil. São mostradas as diversas ações de investimentos e a importância do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na área. Considera para efeito da pesquisa, cosméticos e higiene, TIC aplicada à saúde, saúde pública, instrumentos e materiais médicos e odontológicos. O Ceará possui 26 cursos de pós-graduação ligados ao setor, sendo 10 programas de doutorado, 16 de mestrado e nenhum de mestrado profissional. Produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com 61,4% do total de empregos, é o que mais tem vínculo, seguido de cosméticos & higiene, com cerca de 27%. Na produção nacional do setor de saúde, notam-se as maiores participações das regiões Sudeste e Sul, nesta ordem. O estado de São Paulo, sozinho, responde por quase 70% do total. Nessa direção, o Ceará ocupa o 11º lugar, com participação de 0,4%.

 

TIC

A Rota de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tem incluída produtos de informática, telecomunicações, tecnologias de informação e serviços de informação. Nota-se que, tratando-se do Estado e do País, ambos têm como maior representante os serviços de Tecnologia da Informação (43,1% e 41,9% respectivamente). Em relação à representação no Brasil baseada na receita gerada pelo setor, o Ceará ocupa a 12ª posição, com uma representação de 1,2% do setor. O Cinturão Digital do Ceará (CDC), projeto do Governo do Estado para levar internet de alta velocidade para centros urbanos espalhados pelo Ceará, é um diferencial. Contando com 3 mil quilômetros de fibra óptica e 55 estações, o projeto alcança 53 municípios com sinal de rádio e 92 com infraestrutura de fibra óptica, atingindo 82% da população urbana do Estado. São 72 cursos de graduação ligados aos setores. De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ceará possui 78 grupos de pesquisas relacionadas ao setor. Esse quantitativo representa 14% do total do Nordeste e 3% do Brasil.

 

TURISMO E ECONOMIA CRIATIVA

A Rota Estratégica de Economia Criativa tem como objetivo subsidiar os especialistas no exercício de construir a visão de futuro do setor. Uma seção seguinte é dedicada a um panorama do mercado de trabalho, destacando os empregos e os estabelecimentos do setor, em diversas tabulações. Para fins do estudo, na utilização de dados quantitativos relacionados ao ramo do turismo para demonstração de como este se comporta atualmente, foram consideradas as seguintes atividades econômicas ligadas ao setor, como: transporte, atividades de recreação e lazer, alimentação e alojamento. Para economia criativa, foram definidos quatro grandes grupos (patrimônio, artes, mídia e criações funcionais) e nove subgrupos (expressões culturais tradicionais, locais culturais, artes visuais, artes performáticas, publicações e mídia impressa, audiovisual, design, new media e serviços criativos), excluindo-se P&D e incluindo publicidade.

 

SEGURANÇA PÚBLICA

A Rota Estratégica de Segurança Pública 2025 compreende a construção de planejamento de longo prazo, entregue à sociedade e ao Governo do Estado. Identifica os principais gargalos e apontamento de soluções para melhoria da segurança pública com viés interinstitucional e com ações de impacto direto — enfrentamento da criminalidade e atendimento ao sistema prisional e socioeducativo — e indireto através da governança e de atividades de prevenção. Para atender a essas peculiaridades relacionadas ao tema, a Rota Estratégica de Segurança Pública se estruturou a partir das seguintes dimensões: prevenção; segurança e defesa social; sistema prisional; sistema socioeducativo; governança. Surge da prerrogativa de que um ambiente de paz é mais favorável para a competitividade e produtividade das empresas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico local.