Em 2027, o Brasil será novamente anfitrião de uma Copa do Mundo. Desta vez, será a Copa de Futebol Feminino, tendo Fortaleza como uma das oito cidades-sedes. O anúncio foi feito pela Fifa, organizadora da competição, no dia 7 de maio de 2025.
Fortaleza concorreu com outras 11 cidades brasileiras durante o processo seletivo. Além da capital cearense, foram selecionados os estádios Maracanã (Rio de Janeiro/RJ), Neo Química Arena (São Paulo/SP), Mineirão (Belo Horizonte/MG), Arena Pernambuco (Recife/PE), Arena Fonte Nova (Salvador/BA), Mané Garrincha (Brasília/DF) e Beira-Rio (Porto Alegre/RS).

Em janeiro de 2026, a Fifa realizou o lançamento da marca e da identidade sonora da Copa do Mundo. A competição acontecerá entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027.
O ano de 2025 apresentou grandes mudanças na dinâmica do futebol feminino no Ceará. Em meio à expectativa pela Copa do Mundo Feminina de 2027, a modalidade segue ganhando espaço no País.
O Campeonato Cearense de 2025, no profissional, ficou com o Fortaleza. Após 0x0 na ida e na volta, o clube superou o Ceará por 4x3 nos pênaltis. A grande estrela do título foi a goleira Lorrana, que defendeu duas cobranças. As Leoas conquistaram a taça de forma invicta, com sete triunfos e três empates na competição.
Semanas depois, mesmo com um acesso para a Série A1 do Campeonato Brasileiro ao longo do ano, o Fortaleza comunicou que não daria continuidade ao futebol feminino em 2026.
“Com responsabilidade, transparência e respeito a todos os profissionais envolvidos, comunicamos que o Fortaleza Esporte Clube SAF não dará continuidade ao projeto de futebol feminino no ano de 2026. Ressaltamos que a gestão envidou todos os esforços possíveis para a manutenção da modalidade, buscando alternativas, soluções e caminhos que permitissem a continuidade do projeto de forma sustentável. No entanto, por determinação da SAF, diante do cenário atual de restrição orçamentária, da ausência de recursos específicos e da incapacidade financeira de manutenção da modalidade dentro dos parâmetros exigidos, definiu a descontinuidade das atividades”, publicou o Tricolor em nota.
A restrição orçamentária ocorreu por causa do rebaixamento do time profissional masculino para a Série B. A CBF exige que times da Série A tenham uma equipe feminina e o Fortaleza deixou de integrar tal grupo quando caiu - não há tal requisito na Segunda Divisão.
O Fortaleza chegou a tentar uma parceria com o R4, time do ex-zagueiro Ronaldo Angelim, para manter o projeto e disputar a A1. No entanto, com o encerramento do prazo para confirmação, a resposta não foi aceita pela CBF. O R4 seguirá focado na Série A3 do Brasileiro.
Um episódio semelhante aconteceu com o Ceará em 2022. Após o rebaixamento do elenco profissional masculino, o feminino perdeu investimento e foi rebaixado para a A2 sofrendo diversas goleadas no Brasileiro de 2023. A campanha alvinegra teve 1 empate e 14 derrotas em 15 jogos, com 7 gols marcados e 74 cedidos.
“É alarmante para o futebol feminino cearense que esses padrões se repitam no futebol local, aliás. Estamos muito próximos à Copa do Mundo feminina e não temos nenhum projeto do futebol cearense realmente consistente no cenário nacional por conta dessas decisões dos clubes do nosso Estado. Seria de suma importância que o Governo Estadual — que deveria ter interesse na modalidade, já que irá receber uma Copa do Mundo feminina na Arena Castelão — se some a essa luta pelo fortalecimento da modalidade”, disse Iara Costa, jornalista do O POVO e colunista do futebol feminino.
Cearense Feminino Adulto: Fortaleza
Cearense Feminino sub-17: Fortaleza
Manjadinho sub-15 (Capital): Ceará
Manjadinho sub-15 (Cariri): R4
O Ceará é pentacampeão do Campeonato Cearense Feminino: levantou a taça mais recente em 2024. Na ocasião, a equipe superou o Fortaleza, no Estádio Presidente Vargas. O clube retornou com o futebol feminino em 2018 e seguiu em atividades ininterruptas.

No Ranking Nacional de Clubes de Futebol Feminino para 2026, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as Meninas do Vozão estão na 30ª posição, com 3.263 pontos, sendo a quinta melhor equipe do Nordeste.
Em 2022, o Ceará faturou o título do Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 ao vencer o Athletico-PR nos pênaltis, no Estádio Presidente Vargas, conseguindo também uma vaga na Série A1. Essa conquista é a maior da história da categoria do Time do Povo, sendo também a maior de um clube do Nordeste. Quem carrega a coroa de maior artilheira do profissional é a atacante Michele Carioca, com 41 gols.
Devido ao rebaixamento da equipe masculina em 2022 e as consequentes dificuldades financeiras, o clube reduziu o investimento para a modalidade. O Alvinegro foi rebaixado para a Série A2 em 2023 e abriu mão de participar do torneio em 2024, passando a investir integralmente nas categorias de base, como processo de auxílio ao profissional, que disputaria o Campeonato Cearense Feminino.
Em 2024, com uma equipe composta predominante por atletas da base, fruto do investimento realizado pela diretoria alvinegra na formação, o Ceará faturou o Campeonato Cearense Feminino. O elenco tinha mais de 60% de atletas oriundas da Cidade Vozão - Centro de Treinamento (CT) destinado aos juniores, recebendo todo o suporte de um corpo técnico exclusivo, com treinador, auxiliar, preparador físico, preparador de goleiras e fisioterapeuta.
Em 2025, devido à conquista do Campeonato Cearense Feminino, o Ceará disputou o Campeonato Brasileiro Feminino Série A3. As Meninas do Vozão foram eliminadas pelo Atlético Piauiense nas quartas e não ficaram com o acesso.
O clube também representou o Estado na Copa do Brasil, com uma queda na primeira fase contra o Rolim de Moura, de Rondônia. Na base, o Ceará venceu o Manjadinho sub-15 (Capital) e caiu na primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20.
Mesmo após o rebaixamento no profissional masculino, o Ceará aumentou o investimento no futebol feminino para 2026. O Alvinegro joga novamente a Série A3, reforçando-se com nomes a exemplo da goleira Thais Vieira, a lateral-direita Fran e a atacante Thayla.
2018: 23 atletas
2019: 26 atletas
2020: 40 atletas (início da base)
2021: 42 atletas
2022: 39 atletas
2023: 37 atletas
2024: 74 atletas
2025: 52 atletas
Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino Série A2: 1 (2022)
Campeonato Cearense de Futebol Feminino: 5 (2018, 2019, 2021, 2023 e 2024)
Campeonato Cearense Sub-20: 1 (2019)
Campeonato Cearense de Futebol Feminino Sub-17: 1 (2023)
Copa Manjadinho Feminino Sub-15: 2 (2024 e 2025)
Torneio de Desenvolvimento Feminino Sub-16: 1 (2024)
Fonte: Ceará Sporting Club.
As Leoas retornaram a campo somente em 2019, após quase dez anos ausentes. O clube, que já tinha um Estadual, venceu mais três desde então. Em 2025, o Fortaleza abarcava três categorias femininas: sub-17, sub-20 e profissional.

No Ranking Nacional de Clubes de Futebol Feminino para 2026, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as Leoas estão na 22ª posição, com 4.684 pontos, sendo a terceira melhor equipe do Nordeste.
O Fortaleza buscava investir na formação de jogadoras, movimentação que vinha levando atletas do clube a várias convocações para as seleções brasileiras de base. A volante Camille Lorena foi convocada para a Seleção Brasileira sub-17 em 2024, integrando os treinos preparatórios para o Sul-Americano da categoria. No fim de 2025, a meia Érika e a atacante Tainá foram chamadas para o sub-20.
A jogadora que mais vestiu a amarelinha foi a volante Rebeca, que chegou ao Fortaleza com 15 anos e foi a primeira a marcar um gol pela seleção enquanto ainda defendia o Fortaleza, no duelo de abertura do quadrangular final do Sul-Americano Sub-17, em março de 2022, em que o Brasil venceu por 8 a 0 contra a seleção do Chile.
O sub-17 foi implementado em 2023 e conquistou, já em 2024, de maneira invicta o Campeonato Cearense da categoria. No Brasileiro de 2025, o sub-17 acabou eliminado na primeira fase.
O sub-20 é reconhecido por ter a melhor campanha de uma equipe cearense no Campeonato Brasileiro Feminino, quando, em 2023, chegou às quartas de final. O feito se repetiu em 2025, quando o Fortaleza foi eliminado pelo Flamengo nessa fase.
Na categoria profissional, as Leoas foram campeãs em 2022 sob comando de Débora Ventura, primeira treinadora a vencer o Campeonato Cearense. O Departamento de Futebol Feminino do Fortaleza vinha recebendo maiores investimentos e teve um grande 2025, com acesso à Série A1 e título cearense diante do rival Ceará.
A campanha na A2 se encerrou com uma queda diante do Botafogo na semifinal. O Tricolor reclamou de um gol anulado pela arbitragem por um suposto impedimento.
Semanas depois do acesso inédito e histórico, o Fortaleza anunciou que não daria continuidade ao projeto do futebol feminino em 2026. A desistência, confirmada após o fim do prazo para respostas, gerou uma punição de dois anos sem disputar competições da CBF.
2019: cerca de 27 atletas
2020: cerca de 24 atletas
2021: cerca de 32 atletas
2022: 35 atletas inscritas (Profissional + Base)
2023: 47 atletas inscritas (Profissional + Base)
2024: 78 atletas inscritas (Profissional + Base)
2025: 85 atletas inscritas (Profissional + Base)
Campeonato Cearense de Futebol Feminino: 4 (2010, 2020, 2022 e 2025)
Campeonato Cearense de Futebol Feminino Sub-17: 2 (2024 e 2025)
Campeão da II Copa Meninas de Iracema Adulta: 1 (2010)
Campeão da II Copa Meninas de Iracema Sub-17: 1 (2010)
Copa Gol de Placa Feminino: 1 (2010)
Torneio do Dia Internacional da Mulher: 1 (2010)
Fonte: Fortaleza Esporte Clube.
Há outros três times cearenses no ranking feminino de clubes da CBF. Quem vem depois de Fortaleza e Ceará é o R4, em 84º lugar, com 432 pontos. Guarani de Juazeiro (90º lugar, com 390 pontos) e Menina Olímpica (101º lugar, com 216 pontos) completam a lista.
O Ceará é o único cearense na A2 e o R4 é o clube que representa o Estado na A3. O Alvinegro terá um investimento semelhante ao ano de 2022, quando foi campeão da A2.
Pelo quinto ano consecutivo, a Federação Cearense de Futebol se manteve entre as dez melhores federações do Brasil. As federações do Ceará (9º lugar), da Bahia (6º) e de Pernambuco (10º) são as representantes do Nordeste no top-10. O top 3 para 2026 tem São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Ranking de federações estaduais na modalidade 2026
9ª - Ceará
Ranking 2026*
22ª - Fortaleza
30ª - Ceará
84ª - R4
90ª - Guarani de Juazeiro
101ª - Menina Olímpica
*Revisado e atualizado em 4/12/2025
Ranking 2025*
21ª - Fortaleza
22ª - Ceará
77ª - R4
82ª - Guarani de Juazeiro
96ª - Menina Olímpica
*Revisado e atualizado em 13/12/2024
Ranking 2024
14ª - Ceará
26ª - Fortaleza
74ª - Guarani de Juazeiro
92ª - Menina Olímpica
Ranking 2023
17ª - Ceará
31ª - Fortaleza
79ª - Menina Olímpica
95ª - São Gonçalo
96ª - Caucaia
Ranking 2022
29ª - Ceará
40ª - Fortaleza
74ª - Caucaia
78ª - São Gonçalo
Ranking 2021
37ª - Ceará
46ª - Caucaia
55ª - Fortaleza
77ª - São Gonçalo
Ranking 2020
25ª - Caucaia
47ª - Ceará
67ª - São Gonçalo
70ª - Juventus-CE
Caucaia: 6 (2008, 2009, 2011, 2012, 2013 e 2015)
Ceará: 5 (2018, 2019, 2021, 2023 e 2024)
Fortaleza: 4 (2010, 2020, 2022 e 2025)
São Gonçalo: 1 (2017)
Menina Olímpica: 1 (2016)
Juventus: 1 (2014)
Ferroviário: 1 (1983)