Infraestrutura em Síntese

Infraestrutura para o Desenvolvimento

Revisão técnica: Francisco Maia Júnior

1. Transição Energética, Energia e Gás

1.1 Energias Renováveis

O Ceará possui uma das matrizes energéticas mais limpas do País, com destaque para a produção eólica e solar. Em 2025, o Estado já acumulava mais de 2,5 gigawatts (GW) em capacidade instalada em usinas eólicas e aproximadamente 1,2 GW em solares fotovoltaicas. Essa base renovável, combinada à disponibilidade territorial e à proximidade logística com os principais mercados consumidores, consolida o Ceará como um dos principais territórios brasileiros aptos a liderar a transição energética por meio do hidrogênio verde (H₂V).


Na área energética, o Estado concentra mais de 100 parques eólicos em operação, com capacidade instalada de 2.577 MW, além de 72 novos projetos já contratados ou em construção, somando 2.876 MW adicionais. Há ainda expansão de usinas solares, compondo uma matriz elétrica essencialmente limpa. O Ceará possui ainda um potencial significativo para a energia eólica offshore, modalidade que se integra à estratégia mais ampla de economia do mar, envolvendo não apenas a geração de energia, mas também a pesca, o turismo, a biodiversidade marinha e a aquicultura. O Estado é o maior produtor de camarão do Brasil; destaca-se na exportação de lagosta inteira e na pesca de atum e outras espécies de alto valor comercial.


Apesar do avanço expressivo das energias renováveis, o Ceará enfrenta gargalos relevantes na infraestrutura de rede elétrica para escoar a produção dos projetos estratégicos de energia solar, eólica e, futuramente, eólica offshore. A insuficiência de linhas de transmissão e subestações limita a conexão plena desses empreendimentos ao Sistema Interligado Nacional (SIN), constituindo um dos principais desafios para a consolidação da transição energética no Estado.


Para garantir a segurança e a disponibilidade de energia em larga escala, a Enel Distribuição Ceará anunciou um plano de investimento de R$ 7,4 bilhões no período entre 2025 e 2027. O montante será destinado à ampliação da infraestrutura elétrica de alta tensão no Estado, com destaque para a implantação de 13 novas subestações e a modernização de linhas de transmissão. Esses investimentos têm como prioridade atender a carga industrial crescente da ZPE II, cuja vocação será fortemente voltada à cadeia do hidrogênio e à transição energética.


O governo do Ceará, por meio da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), investiu R$ 93,5 milhões no reforço à distribuição e ao consumo de energia em 2025. O valor representa um aumento de sete vezes em relação ao registrado no ano anterior.

1.2 Hidrogênio Verde

Nos últimos anos, o governo estadual, em articulação com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), passou a estruturar uma agenda dedicada à atração de projetos voltados à produção de hidrogênio verde e seus derivados. Além dos memorandos, o Estado já viabiliza pré-contratos com empresas em estágio mais avançado, que sinalizam compromissos vinculantes para instalação de plantas de produção. Em paralelo, avança-se na obtenção de pareceres técnicos e aprovação ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), etapa essencial para viabilizar a conexão dos empreendimentos ao Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo fornecimento estável e previsível de energia renovável.


A primeira planta-piloto de hidrogênio verde em operação no Brasil, localizada no Cipp, foi concluída em 2022 e inaugurada em 2023. Além dela, seis projetos encontram-se em fases mais avançadas de estruturação, envolvendo empresas como Fortescue, AES Brasil, Casa dos Ventos, Voltalia, Qair e FRV, com investimentos estimados em mais de US$ 30 bilhões. A estruturação desses projetos é potencializada pelo interesse europeu: acordos com os portos de Roterdã e Sines vêm consolidando corredores logísticos verdes para o escoamento de H₂V e derivados rumo à Europa, em sinergia com a estratégia Global Gateway da União Europeia.


Os projetos preveem a instalação de plantas industriais em áreas da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), além da construção de redes de dutos, sistemas de armazenamento e terminais logísticos especializados. Um dos investimentos mais relevantes em infraestrutura já licitado é o novo berço do Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT) do Porto do Pecém, voltado especificamente à movimentação de amônia verde. O projeto, orçado em R$ 675 milhões, conta com recursos do Banco Mundial, do Fundo Clima e da própria CIPP S.A. A obra, cuja construção deverá ser concluída até 2028, é considerada estratégica não apenas para viabilizar a exportação da produção, mas também para consolidar o porto como plataforma energética internacional.


A integração dessas iniciativas conta com a articulação entre diferentes esferas de governo, agências de fomento e instituições multilaterais. O Estado tem atuado para viabilizar a criação de um marco regulatório compatível com os padrões internacionais de certificação de hidrogênio verde, além de oferecer incentivos fiscais e apoio técnico às empresas interessadas. O Plano de Transição Energética Justa do Ceará (Ceará Verde), aliado ao Programa Ceará H₂ Verde, forma a espinha dorsal da estratégia pública para o setor.


O Brasil foi o país que mais garantiu recursos no programa global Descarbonização Industrial Acelerada, com R$ 1,3 bilhão assegurados para incentivar projetos de redução de emissões de carbono em larga escala. O projeto selecionado no Ceará foi o DRHy, liderado pela empresa EDP Renováveis Brasil S.A.


Apesar do avanço institucional e dos aportes previstos, o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio verde no Ceará ainda enfrenta desafios. Entre eles, destacam-se o alto custo dos eletrolisadores, a ausência de normativas federais claras para a exportação de hidrogênio e derivados, e a necessidade de formação de mão de obra técnica qualificada. Também é fundamental garantir a coordenação entre os projetos privados e a expansão das redes de abastecimento de água, considerando que o processo de eletrólise exige volumes significativos desse insumo.

Ainda assim, as oportunidades superam os entraves no horizonte de médio e longo prazo. A localização geográfica do Ceará, com acesso facilitado aos mercados da Europa, América do Norte e Norte da África, aliada à infraestrutura logística consolidada e aos incentivos estruturados, permite projetar o Estado como um dos hubs mais promissores do Brasil para a economia do hidrogênio.



O Porto do Pecém desempenha papel central no desenvolvimento do Hidrogênio Verde no Ceará.

1.3 Gás Natural

O avanço da infraestrutura de gás natural no Ceará representa outro pilar estratégico da transição energética. O recente leilão de capacidade possibilitou ao Estado viabilizar a construção do Píer Zero, estrutura essencial para a movimentação de gás natural destinado ao abastecimento das novas termelétricas a gás contratadas para o Ceará. Além dos novos empreendimentos, o cenário inclui a renovação dos contratos das termelétricas existentes a gás e a carvão no Estado bem como a implantação de uma nova termelétrica em Aracati, aproveitando o “city gate” do Gasoduto Guamaré, conectado à malha Nordeste.


A chegada do gás natural às bacias do Norte do Estado constitui um avanço relevante, ampliando a oferta energética para regiões industriais em expansão e contribuindo para a diversificação da matriz energética cearense. Essa infraestrutura de gás complementa os investimentos em energias renováveis e hidrogênio verde, conferindo maior segurança e estabilidade ao sistema energético do Ceará.


2. Transformação Digital, Conectividade de Dados e Telecomunicações

2.1 Hub de Conectividade

Fortaleza destaca-se como o principal hub de conectividade internacional do Brasil e da América Latina. Sua localização geográfica estratégica, voltada para o Atlântico, aliada à infraestrutura instalada, fez da capital cearense o ponto de aterrissagem de 17 cabos submarinos de fibra óptica. Esses cabos conectam diretamente o Brasil a América do Norte, Europa e África, assegurando ao Ceará uma posição privilegiada no tráfego global de dados.


A construção do 18º cabo, sem valor de investimento revelado, está prevista para ser iniciada no segundo semestre de 2026, tendo conclusão estimada em 2029 ou 2030. A empresa responsável pela conexão na Praia do Futuro é a V.Tal, com foco na demanda por inteligência artificial (IA). Batizado de Synapse, o cabo tem as pontas ancoradas entre Tuckerton (New Jersey, EUA) e Praia Grande (São Paulo, BRA), em um percurso de 9,7 mil quilômetros.


Segundo a Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), mais de 90% dos dados que entram no Brasil ou saem dele passam por Fortaleza antes de serem redirecionados para outros pontos do País. Isso ocorre porque a capital cearense concentra sistemas de cabos como GlobeNet, EllaLink, Brusa, Monet, SAm-1, SACS e AMX-1, entre outros, que fazem a interligação direta do continente sul-americano com hubs tecnológicos internacionais.


Essa infraestrutura de alta capacidade reduz significativamente a latência e aumenta a velocidade de transmissão, o que atrai provedores de conteúdo, empresas de cloud computing, fintechs e operadoras de telecomunicações. Grandes players globais como Google, Meta, Amazon e Microsoft já utilizam ou operam estruturas em Fortaleza para roteamento e hospedagem de dados.


Complementando esse cenário, o Ceará dispõe da maior rede pública de banda larga do Brasil, o Cinturão Digital do Ceará (CDC), que atualmente tem 5.800 km de backbone de fibra ótica sob responsabilidade da Etice, e outros 10.350 km operados em parceria com empresas privadas, cobrindo os 184 municípios do Estado. Essa infraestrutura atende a mais de 80% da população urbana com acesso à internet de alta velocidade.


Além disso, provedores privados operam mais de 100 mil km de fibras ópticas no Estado, reforçando ainda mais a densidade e a capilaridade da malha de conectividade. Essa rede paralela à infraestrutura pública possibilita redundância, maior segurança de rede e escalabilidade, sendo estratégica para atrair data centers, plataformas de inteligência artificial, operações bancárias digitais e estruturas corporativas distribuídas.


A conectividade proporcionada pelos cabos submarinos e pelo Cinturão Digital fortalece a posição do Ceará como destino estratégico para instalação de data centers, hubs de inovação e serviços digitais exportáveis. Além disso, oferece vantagens operacionais para indústrias e instituições que dependem de baixa latência e alta disponibilidade de rede, como saúde digital, educação a distância, segurança pública e controle logístico.


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2.2 Cinturão Digital do Ceará

O Cinturão Digital do Ceará (CDC) é considerado um dos maiores e mais sofisticados projetos públicos de infraestrutura de conectividade do Brasil. Criado com a missão de democratizar o acesso à internet de alta velocidade e integrar os municípios cearenses à economia digital, o CDC tem evoluído de uma estrutura de rede física para um eixo de transformação territorial, sustentando políticas públicas, atração de investimentos e serviços baseados em dados.


Mais do que um backbone óptico, o CDC oferece suporte à operação de serviços públicos em larga escala. Escolas, hospitais, delegacias, centros administrativos e unidades do sistema de justiça utilizam a rede para acesso a sistemas em nuvem, videomonitoramento, integração de bases de dados e serviços remotos. Em 2023, a rede já permitia o funcionamento simultâneo de mais de 2 mil escolas estaduais com conectividade estável, além de ser base para projetos de telemedicina e monitoramento urbano em regiões antes isoladas.


A infraestrutura também foi essencial para o avanço da cobertura 5G. A presença do CDC em todos os municípios ofereceu uma rota segura e de baixa latência para o tráfego de dados das novas antenas móveis. Com isso, no fim de 2023, 120 municípios já contavam com cobertura 5G.


Dados do Mapa de Antenas da Conexi mostram que, em dezembro de 2025, o Ceará era o quinto estado brasileiro com mais antenas 5G, somando 2.488 equipamentos - a capital Fortaleza contabilizou 1.364, o que equivale a 54,8%. A região cearense fica atrás apenas de São Paulo (13.447), Rio de Janeiro (6.814), Minas Gerais (3.789) e Rio Grande do Sul (2.575).


Além do setor público, o CDC tem desempenhado papel estratégico na atração de empresas de tecnologia, call centers e operações de back office, especialmente em cidades de médio porte no Interior. A infraestrutura é capaz de operar em velocidades de até 10 Gbps, com latência inferior a 1 ms, o que posiciona o Estado para absorver tecnologias emergentes como internet das coisas (IoT), inteligência artificial e veículos autônomos. A estabilidade e a alta capacidade da rede permitiram que essas localidades recebessem data centers de menor escala, estruturas de atendimento remoto e startups, contribuindo para a descentralização da economia digital e a geração de empregos qualificados fora da capital. A operação do CDC é potencializada pela sinergia com a malha privada de mais de 100 mil km de fibras ópticas instaladas por operadoras no Estado. Essa integração público-privada forma uma das malhas de conectividade mais densas do País, ampliando a cobertura, a redundância e a segurança. Essa infraestrutura combinada permite que o Ceará ofereça conectividade estável mesmo em regiões de difícil acesso, suportando serviços críticos e atraindo investimentos em infraestrutura digital distribuída.


O avanço da rede também está ligado à expansão da capacidade técnica. Em 2023, os enlaces principais já operavam com capacidade de 100 Gbps, com investimentos em tecnologia DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing) sendo a estratégia para elevar o limite, acompanhando o crescimento da demanda e a chegada de novos serviços baseados em nuvem e inteligência artificial.


O modelo de gestão do CDC combina liderança pública — exercida pela Etice — com operação descentralizada e parcerias técnicas com operadoras privadas. Essa abordagem híbrida tem sido apontada como referência em outros estados e permite flexibilidade para expansão modular, manutenção permanente e atualização tecnológica contínua. Em paralelo, o CDC tem viabilizado projetos de Wi-Fi gratuito em escolas e espaços públicos, além de fomentar a inclusão digital comunitária.


Para 2026, a Etice revelou que vai investir R$ 12 milhões com o intuito de, ao término do ano, aumentar a velocidade do Cinturão Digital de 200 gigabits por segundo (Gbps) para 400 Gpbs. A empresa segue estudando um novo modelo de leilão para os sete pares de fibra óptica ainda ociosos. A meta é concluir a modelagem do certame e o termo de referência do edital até o meio de 2026, realizando o leilão na segunda metade do ano.

Movimentação no Porto do Pecém (Foto: O POVO)

3. Recursos Hídricos, Saneamento e Abastecimento D’Água

A segurança hídrica também tem sido tratada como prioridade. O Estado opera um sistema integrado de açudes, canais e adutoras, fundamentais para o abastecimento urbano, agrícola e industrial. Estão em curso estudos para a instalação de plantas de dessalinização, voltadas sobretudo ao suprimento de água para a produção de hidrogênio verde — processo altamente dependente do insumo hídrico. Além disso, a expansão de perímetros irrigados em regiões como o Baixo Acaraú, Chapada do Apodi e Vale do Jaguaribe sustenta o avanço de cultivos voltados à exportação, incluindo frutas, grãos e projetos pioneiros de produção de cacau.


A duplicação do Eixão das Águas receberá R$ 622,6 milhões para a continuidade das obras no Ceará, após assinatura de operação de financiamento do Governo do Estado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O empreendimento visa dobrar a capacidade de adução do recurso hídrico no Estado, ampliando a vazão do trecho I de 11 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 22 m³/s. Já os trechos II, III e IV vão de 9,5 m³/s para 19 m³/s.


O valor faz parte do pacote de R$ 1,3 bilhão destinado à ampliação da rede de esgotamento sanitário e à melhoria do abastecimento de água no Ceará, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (AC). Do total, R$ 499 milhões foram aplicados no empreendimento até dezembro de 2025, o que atualmente apresenta 43% de execução.


No âmbito do BNDES, os recursos são oriundos do Invest Impacto 2, projeto aprovado pelo banco em novembro de 2024, que prevê R$ 823 milhões para projetos de recursos hídricos no Ceará.


Tal tema surge com relevância porque, apesar do potencial em muitas áreas, um dos principais desafios que o Ceará enfrenta é garantir a segurança hídrica para sustentar esse crescimento. A mesma questão está presente em toda a região Nordeste.


O estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, encomendado pelo Instituto Trata Brasil, mostra que, a continuar no ritmo atual de crescimento do consumo e de desperdício, o Brasil precisará de um aporte 60% maior de água tratada em 2050. Os números também projetam que o impacto das mudanças climáticas nas chuvas poderá levar a 30 dias de racionamento, em média, por ano nas regiões Norte e Nordeste.


Conforme a pesquisa do Trata Brasil, o crescimento do consumo no Estado até 2050 será considerado relativamente alto quando comparado à média nacional, já que a previsão é de crescimento demográfico positivo, ao contrário das regiões Sul e Sudeste.


O Ceará, em 2023 - ano inicial do levantamento, estava na décima posição entre as unidades da federação no consumo total de água, com 312,01 milhões de m³. Em 2050, a previsão é que suba para a nona posição, com 423,88 milhões de m³.


Em 2024, um total de 88% dos domicílios do Ceará tinha a rede geral como principal forma de abastecimento de água, considerando apenas aqueles com disponibilidade diária. O percentual era o segundo maior do Nordeste, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


A rede geral corresponde ao sistema de infraestrutura pública que é responsável por conduzir água potável até os pontos de consumo, fazendo o trabalho de captação, tratamento e distribuição.


Quem não tem acesso a esse tipo de abastecimento busca o fornecimento por outros meios: poço profundo ou artesiano, poço raso, freático ou cacimba, fonte ou nascente, por exemplo. De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2024 ocorreu a expansão de 0,5 ponto percentual de domicílios que possuíam a rede geral como o principal meio de abastecimento de água no Brasil.


SEÇÃO MAPAS: Regiões Hidrográficas do Estado do Ceará e Integração do Rio São Francisco

4. Logística, Intermodalidade e Transportes

A infraestrutura de transportes do Ceará tem passado por um processo de modernização e integração que reposiciona o Estado como elo fundamental entre o interior produtivo do Nordeste e os mercados internacionais. Ao articular investimentos em portos, ferrovias, rodovias e aeroportos, o Estado constrói as bases de um sistema logístico intermodal com capacidade de suportar o crescimento de setores estratégicos como agronegócio, siderurgia, mineração, energia e economia digital. Essa articulação tem resultado não apenas na melhoria da eficiência logística, mas também na atração de investimentos produtivos, geração de empregos e maior competitividade regional. A seguir, os principais eixos dessa reconfiguração logística.


4.1 Infraestrutura Portuária

O Ceará conta com dois principais terminais portuários estratégicos: o Porto do Pecém e o Porto de Fortaleza (Mucuripe), que operam de forma complementar e desempenham papel central na inserção do Estado nas cadeias logísticas nacionais e internacionais.


O Porto do Pecém é um terminal offshore de padrão internacional, situado em São Gonçalo do Amarante (CE), integrado ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e à Zona de Processamento de Exportação (ZPE Ceará).


O porto avançou 7% na movimentação de contêineres em 2025 ante 2024, após bater recorde de 20,9 milhões de toneladas. Os dados foram apresentados em balanço dos resultados do Complexo Industrial e Portuário cearense.


Transporte de combustíveis minerais (3.018.554 toneladas), ferro fundido (707.825 toneladas) e minérios (451.422 toneladas) foram destaque nos desembarques. Embarques ficaram por conta de ferro fundido (2.531.592 toneladas), minérios (590.353 toneladas), sal (204.191 toneladas) e frutas (190.646 toneladas). Esses dados reforçam o papel do porto como principal plataforma logística do Estado e evidenciam a diversidade de vocações industriais e exportadoras do terminal.


Como principal responsável pelo crescimento, a movimentação de contêineres registrou número histórico de 706.509 TEUs, uma alta de 27% na comparação com o ano anterior, quando o recorde havia sido 555.409. Twenty-foot Equivalent Unit (Unidade Equivalente a Vinte Pés) é a medida padrão internacional na logística marítima, representando o volume de carga de um contêiner de 20 pés de comprimento (metros). É usada para medir a capacidade de navios e o volume de fretes.


Nas operações de longo curso (rotas internacionais), 9,6 toneladas foram atingidas, numa alta de 19% em relação ao ano anterior. Hoje o porto consegue chegar a 29 terminais marítimos, sendo seis principais nos Estados Unidos, 13 na Europa, oito na Ásia e dois na América do Sul (Argentina e Uruguai).


No mesmo ano, foi lançado o edital para a construção do Berço 11 no Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT), com investimento estimado em R$ 675 milhões. O novo berço será voltado à movimentação de amônia verde, consolidando o papel do Pecém como hub da nova economia energética. O porto conta com dez berços e opera como um importante centro logístico conectado por sete rotas de cabotagem e três rotas de longo curso, sendo responsável por mais da metade das exportações do Estado.


Em fevereiro de 2026, o Governo Federal aprovou a implantação de um novo Terminal de Uso Privado no Porto do Pecém, no valor de R$ 795,1 milhões, com potencial para gerar cerca de 1 mil empregos diretos. Há ainda outros oito projetos voltados à ampliação e à modernização de portos brasileiros, que juntos somam um montante de R$ 5,1 bilhões.


O Pecém também fortaleceu sua projeção internacional por meio de parcerias estratégicas. O Porto de Roterdã mantém participação de 30% na sociedade administradora e colabora na estruturação de corredores logísticos sustentáveis com a Europa, enquanto acordos com o Porto de Sines (Portugal) ampliam a conectividade com destinos prioritários para o agronegócio e o setor energético.


O Porto de Fortaleza, administrado pela Companhia Docas do Ceará, movimentou 4,2 milhões de toneladas em 2024, com destaque para a movimentação de contêineres, que alcançou 276 mil TEUs no ano. A infraestrutura urbana do porto passa por adaptações para ampliação da capacidade e do atendimento a embarcações de grande porte. Entre as obras em discussão, estão melhorias para permitir a atracação de navios de até 366 metros de comprimento, o que também permitirá a retomada de cruzeiros internacionais no terminal.


A navegação por cabotagem complementa o sistema portuário cearense como alternativa eficiente para o transporte de cargas de longo curso dentro do País. Em 2024, cerca de 1 milhão de toneladas foram movimentadas por essa modalidade com origem ou destino no Estado. A cabotagem permite integração competitiva entre o Pecém e os polos industriais do Sudeste e Sul do País, com ganhos em escala, segurança e menor custo logístico.


4.2 Infraestrutura Ferroviária

A malha ferroviária do Ceará avança para se tornar um dos pilares estruturantes da logística integrada no Estado, com destaque absoluto para a implantação da ferrovia Transnordestina, maior projeto de transporte sobre trilhos em execução no Nordeste brasileiro. Com aproximadamente 1.200 km de extensão total, a ferrovia ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), passando por importantes polos de produção agrícola e mineral no interior do Nordeste. Desse total, mais de 530 km atravessam o território cearense, conectando o sertão ao litoral industrial do Estado. A previsão de conclusão do trecho cearense permanece para 2027, conforme os cronogramas atualizados da Transnordestina Logística S.A. (TLSA) e do Governo Federal.


Em 2024, foi celebrado um novo acordo de financiamento no valor de R$ 3,6 bilhões, permitindo a retomada plena das obras, com prioridade para o trecho cearense. As obras já avançam entre Missão Velha (CE) e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, formando um eixo logístico de alta capacidade que impulsionará o escoamento de produtos agroindustriais e energéticos. Com capacidade estimada para movimentar até 30 milhões de toneladas por ano, a Transnordestina terá papel central no transporte de soja, milho, fertilizantes, gesso, clínquer e combustíveis. A ferrovia será o elo logístico entre os polos agrícolas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e o litoral exportador do Ceará. A lógica de circulação bidirecional inclui, de um lado, o envio de grãos para o Porto do Pecém; de outro, o transporte de amônia verde e fertilizantes nitrogenados, derivados da cadeia do hidrogênio, para o interior nordestino.


Esse arranjo consolida a ferrovia como vetor essencial da nova economia energética e agrícola, viabilizando sinergias operacionais com o porto, a ZPE e as zonas de desenvolvimento agroindustrial ao longo da linha férrea.


Além da função logística, a Transnordestina impulsiona um ciclo regional de desenvolvimento. A construção da linha já gerou milhares de empregos diretos e indiretos, especialmente nas cidades de Missão Velha, Iguatu, Quixeramobim, Quixadá e Caucaia, e deverá fomentar a instalação de terminais de transbordo, centros logísticos e armazéns voltados ao processamento e à distribuição de insumos. Nesse contexto, ganham relevância os novos terminais intermodais previstos ao longo do traçado, como o Porto Seco de Quixeramobim, o terminal de grãos de Iguatu e outros terminais que deverão ser construídos a partir de Baturité e de Quixeramobim, com vistas à chegada da Transnordestina no Ceará.


No horizonte de intervenções futuras, destaca-se a perspectiva de integração da Transnordestina à Ferrovia Norte-Sul, ampliando significativamente o alcance logístico do sistema ferroviário cearense e conectando o Estado às principais rotas de escoamento do Centro-Oeste e do Norte do País. Essa articulação é fundamental para que o investidor compreenda a arquitetura de desenvolvimento que o Ceará está construindo, em que a logística intermodal constitui a base para os projetos de desenvolvimento em curso.


Do ponto de vista técnico, a ferrovia se integrará de forma estratégica à malha rodoviária estadual e federal, por meio das BR-222, BR-116 e BR-020, reforçando o conceito de intermodalidade no escoamento de cargas. Essa infraestrutura também representará uma transição significativa para um modelo logístico de menor impacto ambiental: atualmente, apenas 1% da carga transportada no Estado utiliza o modal ferroviário. Com a entrada em operação da Transnordestina, esse índice tende a crescer substancialmente, promovendo maior eficiência, menor emissão de carbono e ganhos estruturais em escala nacional. A infraestrutura ferroviária, historicamente marginal no contexto cearense, ganha com a Transnordestina o papel de alicerce de uma nova etapa de integração econômica, redução de desigualdades regionais e reindustrialização sustentável, conectando o interior produtivo ao mercado global por meio de um porto moderno, competitivo e cada vez mais estratégico.


A Transnordestina tinha 326 km em obras durante o início de 2026, tendo a ideia de avançar 50 km a cada 3 ou 4 meses. A informação foi divulgada por Tufi Daher, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (Grupo CSN), responsável pela Transnordestina Logística S/A (TLSA), empresa que comanda o andamento da malha ferroviária. Já tiveram início as operações no transporte de cargas como milho, milheto, sorgo, calcário agrícola e gipsita.

Trilhos das obras da Transnordestina no município de Iguatu.

4.3 Infraestrutura Rodoviária

A malha rodoviária do Ceará é um componente da logística estadual, articulando centros de produção, polos industriais, zonas portuárias e mercados consumidores regionais e nacionais. Com uma posição geográfica estratégica, o Estado é cortado por importantes eixos federais e estaduais que viabilizam a circulação de mercadorias em larga escala, apoiando o agronegócio, a indústria e os serviços.


Em 2024, os investimentos federais em infraestrutura de transporte no Estado somaram R$ 422,7 milhões, alocados em obras de duplicação, requalificação de pavimentos e melhoria de pontos críticos em diversas rodovias. Entre as intervenções prioritárias, destaca-se a Travessia Urbana de Tianguá, fundamental para a ligação rodoviária do Ceará com os estados do Piauí e do Maranhão, além de facilitar o acesso à região Norte do Brasil.

As principais vias estruturantes incluem:

  • BR-116: principal eixo rodoviário do Nordeste, conecta Fortaleza ao Sudeste do País. Serve como rota de entrada e saída para cargas industriais, produtos agrícolas e mercadorias de comércio geral.
  • BR-222: eixo transversal que liga o Pecém ao norte do Piauí e ao Maranhão. É vital para o transporte de minério, grãos e combustíveis, além de operar como via de suporte à ferrovia Transnordestina.
  • BR-020: rota estratégica que interliga o sertão central cearense ao Distrito Federal e ao Centro-Oeste. Facilita o transporte de grãos e insumos agrícolas para o Pecém e contribui para a interiorização das cadeias logísticas.
  • Anel Viário de Fortaleza: fundamental para o escoamento da produção industrial e a movimentação de cargas entre o Porto do Pecém, o Aeroporto Internacional de Fortaleza e os polos logísticos da Região Metropolitana. Em processo de ampliação e modernização, o anel é peça-chave para aliviar o tráfego urbano e otimizar o transporte multimodal.

A sinergia entre rodovias, portos e ferrovias é fortalecida pela conexão direta da malha viária aos corredores de exportação. Muitas das rotas estaduais que convergem para o Cipp e os polos agroindustriais do Interior também passam por obras de modernização, garantindo maior fluidez, segurança e redução de custos operacionais.


O papel das rodovias também se estende ao suporte da economia regional. O transporte de produtos hortifrutigranjeiros, têxteis, combustíveis, cimento, gesso e manufaturados depende, em sua maioria, de rotas rodoviárias eficientes. Em especial, o agronegócio da Chapada do Apodi, da Serra da Ibiapaba e do Cariri tem se beneficiado de melhorias contínuas em acessos, pontes e sinalização.


Além disso, o Estado tem investido em programas de manutenção preventiva e infraestrutura resiliente, preparando a malha rodoviária para resistir às mudanças climáticas e aos eventos extremos, como chuvas intensas e secas prolongadas — fatores recorrentes no semiárido cearense. Ao consolidar a malha rodoviária como elo integrador entre o interior produtivo, os centros logísticos e os mercados de consumo, o Ceará amplia sua capacidade de inserção competitiva nos fluxos comerciais do País.


O Panorama Logístico do Ministério dos Transportes revelou, em outubro de 2025, que 72,2% das rodovias federais que cortam o Ceará estão de regulares a ótimas. Conforme o levantamento, 42,5% das malhas estão em situação regular, 20,2% em condição ruim e 7,6% em péssima, enquanto 27,2% são consideradas boas e 2,5% ótimas.

SEÇÃO MAPAS: FTL, TSLA E  SISTEMA METROVIÁRIO DO CEARÁ

4.4 Infraestrutura Aeroportuária

O Aeroporto Internacional de Fortaleza — Pinto Martins consolidou-se como o principal terminal aéreo de cargas do Norte-Nordeste. Em 2023, atingiu o recorde de 62,7 mil toneladas movimentadas, com crescimento de 55,5% em relação ao ano anterior. A infraestrutura do terminal permite a operação de aeronaves de grande porte e conexões diretas commerca dos da Europa e das Américas, favorecendo o transporte de produtos de alto valor agregado, como medicamentos, eletrônicos, peças automotivas e perecíveis.


O Aeroporto de Fortaleza passou a integrar o ranking dos aeroportos mais pontuais do planeta, na categoria pequeno porte, conforme divulgou o On-Time Performance Review no início de 2026. O relatório anual é feito pela consultoria internacional Cirium, referência global em dados da aviação.


A estrutura logística inclui o Terminal de Cargas (Teca), com padrão alfandegado e infraestrutura especializada, utilizado por operadores nacionais e internacionais como plataforma de redistribuição para outras regiões do País. A conectividade com o Porto do Pecém e as principais rodovias fortalece a intermodalidade e a competitividade da cadeia logística. No interior do Estado, avança o projeto de implantação de um terminal de cargas no Aeroporto Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, com foco no escoamento de produtos industriais, alimentícios e farmacêuticos. A medida visa descentralizar a logística aérea e impulsionar o desenvolvimento da macrorregião sul, promovendo integração com polos produtivos e serviços de courier. A expansão da malha aeroportuária do Ceará, combinada à infraestrutura rodoviária e portuária, posiciona o Estado como um hub logístico de alta performance no Atlântico Sul, com capacidade para atrair investimentos, impulsionar exportações e apoiar cadeias produtivas baseadas em agilidade e valor agregado.


O Ceará tem ainda dez aeroportos estaduais. Dois deles foram incluídos no pacote de concessões federais chamado ampliAR: Jericoacoara (em Cruz) e Aracati. Os demais oito ficam em cidades do Interior e o governo discutiu, em julho de 2025, como tocar a gestão. São eles: Camocim, Campos Sales, Crateús, Iguatu, Quixadá, São Benedito, Sobral e Tauá.


Em março de 2026, a empresa alemã Fraport, que já opera o Aeroporto Internacional Pinto Martins, assumiu oficialmente a gestão do Aeroporto Regional de Jericoacoara, localizado no município de Cruz, a 245 km de Fortaleza. Isso porque foi assinado um aditivo contratual de concessão do terminal do litoral Oeste do Ceará, com previsão de R$ 100 milhões de investimentos pela empresa para ampliação e modernização da infraestrutura aeroportuária.

Aeroporto Internacional Pinto Martins Foto: FERNANDA BARROS

4.5 Transporte de Passageiros e Mobilidade Urbana

O início da operação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) entre as estações Expedicionários e Aeroporto, em fevereiro de 2026, fez com que Fortaleza se tornasse a terceira cidade do Brasil a integrar a malha ferroviária com o aeroporto, segundo destacaram a Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra-CE) e o Metrofor. A primeira foi Recife (PE) e a segunda foi Guarulhos (SP).


A linha faz o percurso de quase dois quilômetros (km) que contorna a área do Aeroporto Internacional Pinto Martins e conecta os bairros de Vila União e Serrinha, fazendo com que a malha ferroviária do Ceará chegue a 86,7 km e 63 estações.


Entregue, a estação e a operação do novo trecho ficam a cargo do Metrofor. A empresa estatal é responsável pela administração de toda via férrea no Ceará destinada ao transporte público de pessoas.


O secretário estadual Hélio Winston Leitão (Infraestrutura) acrescentou que há estudos conduzidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com Fortaleza e Belo Horizonte como piloto para avaliar toda a integração entre os modais de transportes.


A tarifa zero nos transportes coletivos está na pauta do Governo Federal para 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer lançar a iniciativa-piloto de passe livre de 2026. Fortaleza pleiteia ser pioneira no programa federal, conforme O POVO antecipou. A prerrogativa de ser a primeira capital a ter gratuidade universal nos ônibus é disputada com o Rio de Janeiro.

O Ceará já possui o maior município brasileiro com transporte público gratuito: Caucaia, a 14 quilômetros de Fortaleza, na Região Metropolitana. É o maior município do Estado depois da Capital. 


O primeiro município do Ceará a ter transporte público de graça foi Eusébio, a 22 quilômetros da Capital, também na Região Metropolitana de Fortaleza. A seguir veio o vizinho Aquiraz, a 26 quilômetros de Fortaleza. Outro município da Região Metropolitana de Fortaleza, Maracanaú, a 20 quilômetros de Fortaleza, também adotou a política.


Caucaia tem 378.406 habitantes segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2025. Maracanaú tem 251.613. Eusébio, 85.316. Em Aquiraz são 82.016. A população de Fortaleza é de 2.578.483 pessoas. Os quatro municípios com gratuidade, somados, não chegam a um terço da população da Capital.


As experiências de Eusébio, Aquiraz, Caucaia e Maracanaú levantam a questão sobre a expansão do modelo. Segundo o estudo Financiamento Extratarifário da Operação dos Serviços de Transporte Público Urbano no Brasil, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em 2019, é possível criar fontes de recursos diferentes para subsidiar os gastos da população com ônibus, trem e metrô. De acordo com os dados, os usuários arcam com 90% da receita do sistema de transporte público urbano no Brasil.


O serviço de transporte de Fortaleza já tem gratuidade para quem tem até 7 anos de idade e a partir de 65 anos. Também para quem tem deficiência física, mental/intelectual, auditiva, visual ou múltipla. É necessário o cadastramento.


Estudantes têm direito a duas gratuidades por dia, de segunda-feira a sexta-feira, o que o prefeito Evandro Leitão (PT) prometeu ampliar para os fins de semana de 2026.

Pessoas com mobilidade reduzida não aparente têm direito a bilhete único, que permite embarque ou desembarque pela porta da frente, para evitar passar pela catraca. Contudo, não dá direito a gratuidade.

  1. Infraestruturas Complementares e Estratégicas

O Ceará desenvolve um ecossistema de infraestruturas complementares que fortalece setores como energia renovável, mineração, agronegócio, siderurgia e logística internacional. Esses ativos de base são decisivos para viabilizar operações industriais de grande porte, garantir resiliência produtiva e ampliar a capacidade do estado como plataforma exportadora e polo de inovação.


O setor mineral também se estrutura com maior densidade logística. O projeto de Santa Quitéria, que abriga o maior depósito de urânio do País, obteve aprovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear para iniciar o processamento do insumo. Em paralelo, uma empresa canadense investe na exploração de platina e paládio, exigindo infraestrutura adequada para transporte e armazenamento com padrões internacionais de segurança e controle ambiental. Em 2024, o setor mineral exportou US$ 42,2 milhões, com expectativa de crescimento à medida que novos polos se conectam à malha ferroviária e portuária do Estado.


Merece destaque ainda o contexto dos minerais raros — frequentemente referidos como terras raras —, cuja disponibilidade tem assumido importância geopolítica crescente no cenário internacional. O Ceará apresenta potencial relevante nessa área, com esforços em curso para a definição de volumes disponíveis, concessão de licenças e autorizações de exploração. Somam-se a esse panorama o projeto de Itataia, voltado à produção de fosfato no Estado, a perspectiva de implantação de uma refinaria de metanol e o desenvolvimento de uma indústria de fertilizantes associada à produção de potássio e ureia — insumos estratégicos para a segurança alimentar nacional e para a redução da dependência brasileira de importações nesse segmento.


No agronegócio, o Ceará avança na modernização da infraestrutura de suporte à produção e exportação. O Plano Safra destinou R$ 1,8 bilhão à agricultura familiar, enquanto o programa “Hora de Plantar” recebeu R$ 35 milhões em 2024.

As sementes do “Hora de Plantar” na safra 2025/2026 foram entregues às regiões do Estado ao longo do mês de janeiro de 2026, com investimento de R$ 36 milhões. A operacionalização e assistência técnica do projeto ficam a cargo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), em parceria com as secretarias e sindicatos municipais.


Ao mesmo tempo, o Estado amplia sua base produtiva com novos projetos no Baixo Acaraú e nas regiões do Cariri e da Ibiapaba. O Grupo M. Dias Branco, com sede no Estado, atua como referência no setor agroindustrial nacional. A logística dessas cadeias está sendo integrada aos corredores de exportação por meio de acesso a rodovias, estradas vicinais e hubs logísticos próximos à Transnordestina e ao Porto do Pecém, com impacto direto na competitividade de frutas, grãos e insumos agroindustriais.


A indústria do aço também exerce papel central na matriz produtiva do Ceará. A operação da ArcelorMittal no Cipp, com capacidade para 3 milhões de toneladas de chapas de aço por ano, e o Grupo Aço Cearense, com produção de 1,4 milhão de toneladas, consolidam o Estado como líder nacional em produção de aço bruto. As exportações do setor somaram US$ 535,39 milhões até setembro de 2024, com escoamento prioritário via Porto do Pecém. Por fim, a internacionalização da infraestrutura se intensifica. A parceria com o Porto de Sines, em Portugal, estabelece corredores sustentáveis para exportação de hidrogênio verde, combustíveis sintéticos e commodities. A localização geográfica do Ceará também facilita a articulação com rotas transoceânicas via Canal do Panamá, projetando o Estado como nó logístico do Atlântico Sul e ampliando seu raio de influência sobre mercados da Europa, Ásia e América do Norte.


Em relação à sustentabilidade, o desenvolvimento a partir de tal ótica vem sendo parte de uma indústria forte no Ceará. A atividade industrial é a que mais gera encadeamentos produtivos, inovação, empregos qualificados e renda no Estado. A representação é de 18,3% da economia, 82% das exportações e 387 mil empregos formais - cerca de 28% do total cearense.


A conclusão da Ferrovia Transnordestina, integrada ao sistema porto-rodovia, representa um divisor de águas para o escoamento de grandes volumes, reduzindo custos e elevando a competitividade das nossas cadeias produtivas. A expansão das energias renováveis, o avanço do hidrogênio verde, os projetos eólicos offshore e a atração de data centers posicionam o Ceará na fronteira da economia de baixo carbono.


O Ceará é o líder do Índice de Inovação dos Estados entre as regiões Norte e Nordeste pelo quinto ano consecutivo, desde 2021 até 2025. O resultado é influenciado especialmente pelo avanço na sustentabilidade ambiental (2ª melhor do Brasil) e intensidade tecnológica e criativa (4ª). Ao nível nacional, o local está na sétima posição, com medição de 0,478. Os primeiros lugares são ocupados por São Paulo (0,932), Rio de Janeiro (0,621) e Rio Grande do Sul (0,519).


Os dados foram obtidos em agosto de 2025, com exclusividade pelo O POVO. A divulgação foi feita pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), por meio do Observatório da Indústria.


Conforme o economista-chefe da Fiec e gerente do Observatório, Guilherme Muchale, além dos dois indicadores positivos, o Ceará evoluiu no segmento de investimento de financiamento público em ciência e tecnologia (6ª).


No caso da sustentabilidade ambiental, o Estado saiu da décima posição para a segunda, em quatro anos. Para o especialista, o principal motivo é o fato de ser a referência em energias renováveis. Contudo, ainda precisa avançar na agenda empresarial em ESG (Ambiental, Social e Governança, em português). Já a intensidade tecnológica e criativa é um setor que o Ceará se destaca há alguns anos e a tendência, segundo Guilherme Muchale, é melhorar com o aumento dos investimentos anunciados em, por exemplo, data centers e hidrogênio verde.


Considerando o resultado geral, a pior colocação do Estado no histórico foi em 2020, quando ficou em 10º lugar, logo atrás da Bahia. Este foi também o ano em que não ocupou a liderança regional. Em 2025, Pernambuco era o mais bem colocado depois do Ceará, ocupando a 12ª posição.


Ao falar de expansão tecnológica no Ceará, a Amazon articula discussões para os seus planos no Estado. O foco das negociações, noticiadas pelo O POVO em fevereiro de 2026, foi em desenvolvimento logístico, ampliação de parcerias com fornecedores, prestadores de serviços e vendedores locais.


O tema teve participação da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), em reunião entre representantes da Amazon e do titular da pasta, Domingos Filho. Durante a agenda, foram apresentadas as estratégias de crescimento da Amazon no Ceará e debatidas possibilidades de atuação conjunta entre o Governo do Estado e as diferentes frentes de negócio da empresa. A iniciativa busca fortalecer o ecossistema econômico regional, especialmente por meio da integração de empreendedores cearenses à cadeia global de comércio eletrônico.


A expansão das operações da Amazon no Ceará contribui para o fortalecimento do comércio eletrônico e da infraestrutura tecnológica, ampliando a oferta de entregas.

6. O que isso significa para o estado do Ceará?

O fortalecimento da infraestrutura energética, logística, digital e de suporte produtivo projeta o Ceará como uma das regiões mais estratégicas do País. O Estado se destaca como plataforma emergente para cadeias globais de valor, ancorando seu protagonismo na transição energética, na exportação agroindustrial e na conectividade de dados.


A consolidação de Fortaleza como hub de dados da América Latina, combinada à expansão da malha logística — com destaque para o Porto do Pecém, a Transnordestina e a infraestrutura aeroportuária —, amplia a competitividade regional, deslocando fluxos e centros de decisão tradicionalmente concentrados no Sudeste.


O avanço da cadeia do hidrogênio verde, com projetos industriais de larga escala, e a expansão de ativos como parques eólicos, polos minerais e perímetros irrigados reforçam o posicionamento do Ceará como território de inovação climática, exportação de commodities limpas e reindustrialização com sustentabilidade.


Com a articulação entre diferentes esferas de governo, setor privado e instituições multilaterais, o Estado passa a reunir condições para liderar novos arranjos produtivos integrados e diversificados, conectando o interior ao litoral e o Nordeste ao mundo.

7. O que um investidor precisa saber sobre o Ceará?

O Ceará reúne fundamentos estruturais que o colocam em vantagem competitiva para investimentos em energia renovável, infraestrutura logística, inovação e indústria de baixo carbono. A matriz elétrica limpa, a base regulatória estável e a presença de grandes projetos em hidrogênio verde, portos, mineração e tecnologia são vetores de atração de capital.


A conectividade internacional por meio de dez cabos submarinos e o Cinturão Digital — com cobertura em todos os municípios — sustentam operações digitais intensivas, data centers, empresas de tecnologia e serviços em rede. A presença de grandes players globais valida esse potencial.


A infraestrutura logística em curso — como o novo berço no Porto do Pecém e a retomada da Transnordestina — amplia o raio de alcance para o Matopiba, viabilizando o escoamento de grãos, fertilizantes e produtos industriais. As conexões com portos como Roterdã e Sines ampliam as possibilidades para exportação estratégica. Embora parte dos ativos ainda esteja em implantação, o ambiente institucional, os incentivos fiscais e a articulação com organismos de fomento sinalizam uma agenda coordenada de crescimento sustentável. O Ceará se apresenta como destino promissor para investimentos com visão de médio e longo prazo.