A cidade de Fortaleza, maior economia do Nordeste e 12ª do Brasil, é também a quarta maior cidade do Brasil em população, com aproximadamente 2,6 milhões de habitantes segundo estimativas do IBGE 2025. Trata-se de uma cidade de contrastes: dinâmica, criativa, com forte apelo turístico e potência econômica regional, mas ainda marcada por desigualdades estruturais. O fortalecimento das receitas próprias, a inovação na gestão pública e os investimentos em educação, infraestrutura e segurança alimentar são caminhos fundamentais para consolidar uma cidade mais justa, resiliente e preparada para os desafios do século XXI.
A intensa atividade no setor de serviços merece destaque, já que responde por aproximadamente 80% do PIB da cidade. Neste terceiro setor, a vocação turística, a infraestrutura urbana consolidada e as políticas públicas voltadas para mobilidade urbana, saúde da família e educação básica são as referências. Como grandes desafios sociais, destacam-se a desigualdade de renda, a precariedade habitacional em periferias e a persistência de bolsões de pobreza em regiões vulneráveis.
O encerramento da gestão municipal de 2024 ficou marcado pela incerteza acerca da situação fiscal da Cidade, cujas evidências na área da Saúde e na Administração e geral com contratos e fornecedores sugeriam fragilidade. A perda do direito de obter garantias da União em eventuais realizações de operações de crédito, confirmada por meio da Nota “C” na classificação Capag da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), atestou o cenário fiscal adverso para as contas públicas da Capital, tendo o elevado custeio do setor público como fator determinante, já que a arrecadação própria e a receita de transferências apresentaram crescimento em termos reais em 2024.
A Tabela 1 a seguir apresenta a evolução recente da arrecadação dos impostos municipais na cidade de Fortaleza. Constata-se um crescimento médio anual de 13,9% na arrecadação do ISS entre 2022 e 2025, contra apenas 6,3% do IPTU, cuja base de cálculo é corrigida pelo IPCA-E, e 10,6% do ITBI. Além desses, o IRRF apresentou crescimento acima da inflação média mensal, com 13,5% sendo o crescimento médio anual do período 2022-2025.
Tabela 1: Principais fontes de receita da cidade de Fortaleza, de 2022 a 2025
| Principais Receitas | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Média 2022-2025 |
| ISS | 1.172,13 | 1.471,30 | 1.586,34 | 1.718,15 | 13,9% |
| IPTU | 627,23 | 693,17 | 711,85 | 751,48 | 6,3% |
| ITBI | 153,88 | 169,89 | 178,84 | 207,56 | 10,6% |
| IRFF | 580,70 | 686,33 | 804,78 | 845,84 | 13,5% |
| Outros Tributos | 955,06 | 1.146,24 | 1.353,91 | 1.314,07 | 11,7% |
| Receita Própria | 2.908,30 | 3.480,60 | 3.830,95 | 3.991,25 | 11,3% |
Fonte: Portal da Transparência de Fortaleza.
A trajetória recente de crescimento do ISS elevou a sua representatividade na arrecadação própria para mais que o dobro da participação do IPTU, que também teve menor representatividade que o IRRF.
O ISS de Fortaleza é bastante diversificado entre os mais de 50 segmentos do setor de serviços, com o maior deles não ultrapassando 15% da arrecadação total desse imposto. Tal peculiaridade traz segurança à gestão pública em relação aos possíveis choques econômicos causados por fatores externos em determinado segmento do qual a arrecadação fosse muito dependente. Com efeito, diversificação de receitas traz segurança ao planejamento financeiro de Fortaleza.
Tabela 2: Segmentos e os Contribuintes de destaque na arrecadação do ISS local
| Saúde | Construção Civil, Engenharia, Arquitetura e Meio Ambiente | Terceirização | Serviços Financeiros |
| Hapvida Unimed Coaph São Carlos Otoclinica | Ecofor Marquise Athos Moura Dubeux KG Construções Fortal | Fortal Certa Tudo Servnac | Camed Fortbrasil Euroserv Business & Negócios Terceirizados |
Fonte: Portal da Transparência de Fortaleza.
A Lei Orçamentária Anual (LOA) da cidade de Fortaleza para o ano de 2026 apresenta previsões conservadoras em relação às fontes de receita pública, com uma Receita Corrente da ordem de R$ 15,2 bilhões, sendo 36,0% arrecadado no município, onde o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) se mostra como a principal fonte de receita própria. Além dessa importante fonte de recursos correntes, estima-se que 60,0% da receita sejam transferidos de outras esferas e 4,0% advindos de outras receitas correntes, como dividendos e compensações, entre outras. Os Gráficos 1 e 2 a seguir detalham a distribuição estimada da receita corrente municipal para 2026.
Na rubrica de receitas de capital, destaca-se o efeito positivo esperado a partir da recuperação da Nota B na Capag-STN, que possibilitará que o município realize Operações de Crédito em torno de R$ 717,0 milhões, compatíveis com esta estimativa de R$ 768,2 milhões para o total da Receita de Capital.