Especial - Uma História do Ferro e Aço

Uma história do ferro e aço

Especial

OS DONOS DA CSP

O que faz do Ceará um local propício para o desenvolvimento da indústria metalúrgica? Na CSP, por exemplo, metade dos acionistas são estrangeiros. Ela é resultado de uma joint venture, formada pela Vale (50%) e as sul-coreanas Dongkuk (30%), maior compradora mundial de placas de aço, e Posco (20%), 5ª maior siderúrgica do mundo e a 1ª na Coreia do Sul. Fechando a conta, a CSP é fruto de um investimento estimado em R$ 5,4 bilhões ao longo de sete anos. Nascido em Minas Gerais, com forte atuação no Sudeste, o CEO da CSP destaca que duas grandes vantagens para a empresa se desenvolver foram estar em uma ZPE e ter um terminal portuário à disposição. Embora comece a funcionar em tempos de recessão — como 2016 — seja um desafio pesado, Sérgio Leite mira nos contrapontos.

Em termos de impactos no meio ambiente, a CSP se diz estar comprometida com a gestão ambiental sustentável desde o início de suas obras, em 2008. No total, o investimento declarado é de R$ 1 bilhão na aquisição de equipamentos e implantação de processos voltados à preservação do meio ambiente e ao controle ambiental, equivalente a cerca de 20% do investimento total.

Na tentativa de minimizar desgastes ambientais, a empresa optou por equipamentos e tecnologias de ponta, considerando capacidade técnica, eficiência produtiva e reconhecimento pelos órgãos ambientais. Também são levados em consideração indicadores de desempenho ambiental e amplo controle dos métodos utilizados na produção.

O Programa de Monitoramento Arqueológico, com prospecção, identificação e resgate do patrimônio histórico cultural em sua área ganhou destaque pela preservação de materiais importantes para a história da região. Como resultado, foram catalogados 26 resquícios arqueológicos que estão na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em 2014, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) emitiu parecer informando que a CSP atendeu a todos os requisitos técnicos deste programa.

Quanto à proteção à biodiversidade, houve catalogação de diversas espécies nativas ao longo da construção do empreendimento. Por meio do resgate da fauna e flora na área de obras da companhia, a criação de um banco de sementes da vegetação nativa e uma xiloteca, que está disponível na Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) — o órgão ambiental do Governo do Estado — e no Parque Botânico do Ceará. Também foram produzidas e plantadas mais de 321 mil mudas de espécies nativas com sementes resgatadas na área de supressão vegetal da CSP. Este programa resultou na emissão pela Semace do 1ª Certificado de Regularidade de Compensação Ambiental no Estado do Ceará.

De acordo com a empresa, ela foi desenvolvida para ser eficiente em consumo hídrico, dadas as dificuldades climáticas do Ceará. A irregularidade pluviométrica no Estado leva a CSP a investir em projetos para otimizar o reúso de água e a estudar outras alternativas de suprimento. Cerca de 96% da necessidade de água da CSP serão recirculadas no processo industrial. Promete que as emissões atmosféricas durante a operação serão até 50% menores do que os limites estabelecidos na legislação ambiental brasileira. A estimativa é que 97% dos resíduos sólidos sejam reaproveitados, índice maior do que os 95% da siderurgia nacional.

Obsolescência não combina com o aço. O insumo é cada vez mais solicitado. Ele é uma opção de investimento rentável, tendo não só resistido a décadas de avanços tecnológicos, mas se adaptando a eles. A siderurgia é uma indústria do futuro.

1 Os termos “Ecletismo” e “arquitetura eclética” dizem respeito às construções surgidas durante o século XIX e que exibiam elementos decorativos misturados, provenientes de expressões arquitetônicas clássica, medieval, renascentista, barroca e neoclássica.

2 Ildefons Cerdà i Sunyer (1815-1876), engenheiro, urbanista e político catalão, foi o autor do plano de extensão e de reforma urbana de Barcelona, constituindo-se num dos pioneiros do urbanismo moderno.

3 Para a complexa execução da estrutura do teatro, foi consultado, em Paris, o engenheiro Louis Léger Vaulthier, velho conhecedor da arquitetura pernambucana.