Especial - O POVO 90 anos

Especial O POVO 90 anos

Especial

LÚCIA DUMMAR

GUARDIÃ DA MEMÓRIA
Crédito: Carlus Campos

Quando o jornalista Demócrito Rocha colocou nas ruas a primeira edição do O POVO, Lúcia Dummar — a mais nova das duas filhas — contava dez anos de idade. Ao lado da irmã Albanisa, um ano mais jovem, entregou flores para o pai como um reconhecimento pelo feito naquele janeiro de 1928. Estava estabelecida ali uma ligação com o empreendimento familiar que jamais seria desfeita.

Quis a vida que Lúcia se transformasse em uma verdadeira guardiã da história do maior orgulho de Demócrito Rocha. Diferentemente da irmã e da mãe, Creuza Rocha, que chegaram a dirigir diretamente o negócio da família, Lúcia Dummar tratou de preservar o nome, a trajetória e as ideias do patrimônio familiar. Abrigou, o quanto pôde, as edições impressas do jornal sob sua responsabilidade, assim como protegeu os acontecimentos na palavra que desfiava para quem quisesse ouvir, fosse na varanda refrescada pela brisa da Lagoa de Messejana ou na mesa de infinitos assentos.

MÃE DE DEMÓCRITO,
AVÓ DE LUCIANA,
LÚCIA DUMMAR ASSUMIU
O PAPEL DE GUARDIÃ DA
MEMÓRIA DO O POVO

Agregadora como o pai, Lúcia amealhou histórias, mas também amigos que encontravam nela a generosidade e o sorriso jamais esquecidos em 96 anos em que esteve na vida. Esse foi o sentimento que Lúcia transmitiu aos familiares que tocaram o negócio. “O jornal sempre foi feito por amigos. Por isso que eu digo: O POVO não morrerá jamais, pois nunca nos faltou um grande sentimento de camaradagem. E camaradagem  é uma energia que faz falta a muitas empresas”, contou nas Páginas Azuis, um dos espaços mais nobres do jornal, em 2006.

A jornalista e amiga Adísia Sá dimensiona a importância que as pessoas tinham na vida de dona Lúcia. A mesa de casa serve para metáfora. “Ela fazia almoços memoráveis. E quem chegasse tinha lugar na mesa dela. Desde o governador até pessoas mais simples”, refaz. Conforme a jornalista, a memória e o cuidado de dona Lúcia com O POVO foi responsável por manter vivo o ideal de empresa desde a fundação até hoje.

Ao longo de oito décadas, ela esteve atenta às mudanças e ousadias empreendidas pelo jornal.  Quase sempre serviu de conselheira, e também como farol, para os processos vivenciados pela empresa. Assim, atravessou os anos. Como hábito, preservou a leitura diária do jornal do qual não escapava uma página. “Ela lia de ponta a ponta a ponta, fazia comentários, ligava para os jornalistas”, rememora Adísia. Há cinco anos, dona Lúcia parou de folhear O POVO, mas o que ela guardou e ensinou permanecem como caminho desenhado para o futuro.