Especial – Geopark Araripe

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Especial

Fósseis – Os Desafios do Combate ao Tráfico

Crédito: Karlson Gracie

                                                                                     

m dos principais desafios enfrentados pelos gestores do Geopark Araripe é o contrabando de fósseis da região. Quando não havia fiscalização rígida, quantidades consideráveis de material fossilizado eram retiradas irregularmente da região e comercializadas no mercado ilegal. Parcela dos participantes desse esquema criminoso foi composta, durante décadas, por quem deveria assumir a linha de frente de combate à prática: pesquisadores da área de paleontologia. 

Durante longos períodos, “estudiosos” de todo o mundo aportaram na região do Araripe e recolheram registros milenares que foram levados para fora do País sob o argumento de que serviriam para estudos científicos. “Eles levavam e preparavam publicações extraordinárias sem dizer como adquiriram o acervo”, explica Patrício Melo. A prática foi, durante muitos anos, facilitada pelos chamados “peixeiros”, nativos da região que colaboraram com o contrabando de fósseis de peixes e outros animais pré-históricos. O acervo milenar lotava caminhões que deixavam a região do Araripe e era comercializado lá fora em troca de verdadeiras fortunas. 

Patrício detalha que, atualmente, a Agência Nacional de Mineração (ANM) trabalha em conjunto com a administração do Geopark Araripe no combate ao tráfico de material paleontológico por meio de ações de fiscalização e monitoramento. “A gente trabalha ao lado deles prestando informações e exercendo papel de educação, bem como denunciando quando há tráfico, a partir de ações de combate à prática dentro do território”, explica. 

De acordo com Patrício, não há mais registro de tráfico na região, apesar de existir investigações com o apoio da Polícia Federal a todo momento. “O que ocorre muitas vezes é a identificação de patrimônio traficado no passado”, elucida. O colaborador do Geopark Araripe explica que há casas de leilões nos Estados Unidos e na Europa onde é permitida a venda desse material paleontológico. Quando há denúncia de que o acervo é natural do Ceará, a polícia brasileira entra em campo para garantir a repatriação das peças. 

Foi o que ocorreu em maio de 2019, quando 46 fósseis de pterossauros, tartarugas marinhas, répteis, insetos, plantas, peixes e aracnídeos foram repatriados após investigação do Ministério Público Federal no Ceará (MPFCE) e Justiça da França, país onde o acervo estava sendo comercializado ilegalmente pela internet por cerca de R$ 2,5 milhões.